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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 10


Território ocupado por portugueses desde o século XVI, devido a sua localização geográfica, Macau tornou-se um ponto de cruzamento de culturas e influências, que vinham de Hong Kong, Londres, Paris, Estados Unidos e Austrália, devendo mais a estas do que a Portugal. Assim, logo no início dos anos 60 os jovens macaenses começam a formar bandas de pop/rock

Face a esta emergente cena musical o sargento Mário Tomaz decide, em 1963, organizar o 1º Festival Musical de Macau onde participam os Grey Coats, Mário Tomaz e o seu Conjunto, os Lovers, os Colourful Diamonds assim como grupos de fox-trot e música popular portuguesa. 

No ano seguinte é organizado o 2º Festival Musical de Macau, já com o apoio do Movimento Nacional Feminino, de onde saem vencedores os Grey Coats, e onde participam os The Colorful Diamonds, Mário Tomaz e o seu Conjunto, Les Quatre de Lis que "actuaram com muita vida, mas...sem um único sorriso, o que os prejudicou bastante", os The Strangers, os The Theicos, assim como um grupo chinês The Mak Chung Brothers e o Conjunto Regional Lusitano. Além dos referidos conjuntos destacaram-se ainda na cena musical de Macau os Flipsiders com as suas dançarinas Tap Siac Sisters, The New Telecasters e sobretudo os The Thunders



Formados em 1965 a partir dos Colourful Diamonds e dos Gatos Negros/ Black Cats, os The Thunders ganham uma maior notoriedade quando em 1968,em Hong Kong, ganham o Star Show, o que os possibilita a gravação do single She's In Hong Kong/ My Love Is a Dream. Dado o êxito deste seguem-se mais dois discos, ambos lançados em 1969, assim como um contrato com a boite Copacabana, também em Hong Kong, onde tocam ao lado dos Mystics, conjunto formado por luso-descendentes. Gravam o seu último disco, Macau, Minha Terra, em 1970.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 9



Em Moçambique, depois de Victor Gomes, só a partir de 1963, sob a influência dos Shadows e com a estreia d’Os Cometas na rádio, é que começam a surgir novos conjuntos como Os Corsários, considerado o "melhor conjunto de Lourenço Marques", os Night Stars, o Conjunto Renato Silva e os portugueses Oliveira Muge instalam-se definitivamente em Moçambique.
 
 Os Night Stars formam-se em 1963 em Lourenço Marques com Bob Woodcook na voz, Mário Sousa na guitarra, Alexandre Rodrigues nas teclas, viola ritmo e vozes, Guita no baixo e Carlos Alberto na bateria tendo estes dois últimos saído pouco depois e entrado Noel Cardoso para o baixo e Dino Antunes para a bateria. É com esta formação que em 1964 gravam o primeiro EP, um disco com forte influência de rock 'n' roll e surf. Em 1965 gravam o segundo EP e são os escolhidos para ir ao Concurso Yé-Yé do Monumental de 1966 onde ficam num polémico 3º lugar. Gravam nesse mesmo ano o terceiro disco, que contêm Eu Sei, música com a qual ganharam o Prémio Peninsular no referido concurso, além de outras três faixas que demonstram uma maior influência de rhythm&blues ou garage-rock. O grupo acaba poucos anos depois devido ao serviço militar.  
  
(retirado de bigslam.pt)

Embora oriundos de Ovar, e formados ainda na década de 50, o Conjunto Oliveira Muge só começa a fazer carreira em 1962 quando vão para Moçambique, onde passam a actuar regularmente na rádio, televisão e festas. Cantando em inglês, português e italiano em 1964 são considerados pela imprensa “O Melhor Conjunto de Gente Nova”, e em 1965 gravam o primeiro EP. No ano seguinte vão a África do Sul onde gravam o disco com o seu maior êxito, A Mãe. Em 1968, o Conjunto Oliveira Muge regressa a Portugal mas volta para Moçambique onde continuaram a tocar até 1974, altura em que o grupo se separa e retorna a Portugal.


Da Guiné, além de José Manuel Concha, há apenas o registo de Os Lords, os Big Star e de um 1º Concurso de Ritmos Modernos da Guiné Portuguesa, organizado pela Plateia e patrocinado pelo Movimento Nacional Feminino.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 8



Também em 1964, em Angola, é organizado um concurso, o 1º Festival de Música Moderna, no Cine-Teatro Restauração, que dá a conhecer bandas como Os Rocks, os Herbert et les Jeunes, Joe Mendes e os Electrónicos, Os Incógnitos, entre outros.


Os Rocks, conjunto formado por Eduardo Nascimento na voz, Fernando e Luís Saraiva nas guitarras, Elmer Pessoa e mais tarde Filipe de Andrade no baixo e João Cláudio Saraiva na bateria, tiveram a sua grande oportunidade quando em 1962 Vasco Morgado vai a Angola, ouve-os e decide levá-los para Lisboa para alguns concertos. Já com algum nome voltam à capital por ocasião do Grande Concurso Yé-Yé do Monumental, ficando num polémico segundo lugar que, apesar de tudo, lhes proporciona um contrato como conjunto residente da boîte Porão da Nau, em Lisboa, e a gravação do primeiro EP.

Entretanto assinam um contrato de dois meses com a boîte La Bonanza em Roterdão, assim como com a televisão holandesa. Reconhecido pela sua voz, em 1967 surge a oportunidade de Eduardo Nascimento participar no Grande Prémio TV da Canção Portuguesa e vence com O Vento Mudou, tornando-se um êxito, com perto de 6000 cópias vendidas. Os Rocks ficam por isso em Portugal Continental, cumprindo um contrato com o Casino Estoril, até que, em 1969, põem termo ao conjunto. 

Numa entrevista à Plateia, uns meses antes, Eduardo Nascimento já dava conta do seu desânimo com a falta de compositores, de orquestras formadas e de directores artísticos, assim como da "calma" das editoras que não distribuíam composições dos seus artistas. A falta de espectáculos de music-hall, a repetição dos mesmos artistas e canções e a falta de coragem dos investidores em algo novo, foram outras das razões pelas quais, após 4 anos e meio na capital, Eduardo Nascimento decidir voltar para Luanda. Aí completa os estudos de Engenharia enquanto alguns dos restantes membros dos Rocks são obrigados a ir cumprir o serviço militar.


 Além dos Rocks, e dos já referidos conjuntos, há registos de outros grupos angolanos como os Kriptons que chegam a gravar um EP em 1965, Os Jactos de Luanda e Os Rebeldes.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 7



Embora os registos sejam poucos, sabe-se que a "invasão britânica" foi além de Portugal Continental. Na Madeira, num concurso para promover as bandas locais, participam Os Demónios Negros, Os Incríveis, Os Dinâmicos, Celso e os Atómicos e Alberto Freitas e o seu Conjunto e aqueles que viriam a receber o primeiro prémio - uma viagem e actuação no continente -, o Conjunto Académico João Paulo

(retirado de osreisdoyeye.blogspot.com)


Contam os próprios, nas páginas da Plateia, que "um dos componentes - o Carlos Alberto - tinha um piano, um outro uma viola, outro ainda uma bateria. Reuniram-se e experimentaram ritmos novos de canções novas. A "coisa" não saiu desarmoniosa. Mas faltava um contrabaixo - cujo preço era aliás inacessível às bolsas dos estudantes. Resolveram então construir um contrabaixo. Semanas e semanas se aprestaram a tão delicado e difícil cometimento. Saíram-se bem. O Conjunto apresentou-se desde logo com contrabaixo e tudo, no primeiro teatro da cidade - o de Baltasar Dias, numa festa de estudantes. E daí por diante, foi um nunca mais acabar de êxitos, em que tem sobressaltado Sérgio Borges nas suas canções inglesas, francesas e italianas, Carlos Alberto e ainda Sérgio em canções a duas vozes, de ritmos moderníssimos e António Ascensão em curiosíssimas imitações, em que é exímio. Os restantes elementos são João Paulo (piano), Bruno (contrabaixo), Rui Brazão (viola) e João Gualberto (bateria)."

É com esta formação que o Conjunto Académico João Paulo se estreia no continente, a 13 de Setembro de 1964, no Teatro Monumental.Com intuito de estudar, depois deste concerto, passam a residir em Lisboa, conseguindo assim construir a sua carreira. Nesse ano de 1964 gravam o seu primeiro EP, com um alinhamento composto unicamente por versões e no ano seguinte gravam mais dois EP’s que, além das habituais versões, já incluem dois originais da qual se destaca o que foi o seu maior êxito Hully Gully do Montanhês, cujas vendas ultrapassaram as 10.000 cópias.



A 30 de Novembro de 1965, após o exame no Sindicato dos Músicos, tornam-se um conjunto profissional. Eram então formados por Sérgio Borges como vocalista, Carlos Alberto Gomes na guitarra solo, Rui Brazão na guitarra ritmo, Ângelo Moura no baixo, João Agrela nas teclas e José Gualberto na bateria. É também nesse ano de 1965 que fazem a primeira digressão por Angola e Moçambique. No ano seguinte editam o LP supostamente "ao vivo"- na realidade é uma compilação de gravações anteriores a qual foram adicionadas palmas - e mais dois EP’s onde constam um cada vez maior número de músicas originais. Entretanto, Sérgio Borges fica em segundo lugar no Grande Prémio da Canção.