sexta-feira, 9 de junho de 2017

"Tropicália em Portugal" (Excertos)

A Tropicália é importada não como movimento contra-cultural mas como mais um produto vindo da América do Sul. A Tropicália em Portugal são bananeiras e água de coco e samba com guitarra eléctrica. Gilberto Gil, Jorge Ben, Wilson Simonal e Caetano Veloso é tudo a mesma coisa. 

(capa do Ep português de Wilson Simonal) 
 

(letra de "País Tropical" de Jorge Ben, tal como publicada na Mundo da Canção, 
ilustrada com uma fotografia de Wilson Simonal...)


(capa da edição portuguesa do 7" de Gilberto Gil "Aquele Abraço")

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Joaquim Costa canta Rock and Roll

Em 1959, Joaquim Costa grava um acetato com duas versões de músicas de Rock 'n' Roll então em voga: "Rip It Up" e "Tutti Frutti". Em 1959 a Groovie Records edita-as, finalmente, em vinil numa edição onde se ouvem também umas gravações de Joaquim Costa feitas em 1978.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

"Pão, Amor e... Totobola!"

"Pão, Amor e...Totobola!" é um filme de Henrique de Campos que tem duas curiosidades: 

-Uma sequência num snack-bar onde se podem ver jovens a dançar.




 



- E Zeca do Rock é um dos actores secundários. No entanto, segundo o próprio a maioria das cenas onde entrou, a fazer de leader de um gang de teddy boys, foram cortadas na versão final. 

Além disso, o filme teve direito a banda-sonora editada em disco e aí pode-se ouvir, além Maria Helena e o Conjunto de Hélder Martins, Zeca do Rock a cantar o seu "Twist para Dois". Seria esta a sua última gravação. Depois disto partiria para Inglaterra onde viveria a Beatle-mania em primeira mão.



Como curiosidade acrescente-se que em 1987 os Ena Pá 2000 gravam uma música com o título do filme para o lado B do seu primeiro single.


Pode ser ouvido aqui, numa versão ao vivo num concerto de 2016:


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Pop em revista no final dos anos 60's



A década de 60 foi pobre em termos de publicações periódicas que soubessem lidar com a nova música que se fazia. A música pop, rock e afins aparecia, de facto, em revistas mas nas ditas de variedades , caso da Plateia e da Rádio & Televisão. Estas, regularmente, dedicavam uma pequena parte das suas páginas aos novos conjuntos, com entrevistas ou notícias. Também as revistas de actualidades como a Flama ocasionalmente lhes dedicava algum espaço. Mas seria apenas no final dessa década que surgiriam três revistas para colmatar estas falhas: Pop Cine, Cine Disco e Mundo da Canção.


A Pop Cine é da responsabilidade da mesma equipa da Plateia e segue o mesmo modelo: notícias breves, entrevistas acompanhadas por fotografias num arranjo gráfico sóbrio, limpo, sem qualquer ligação com a realidade que pretendia captar. Com um tamanho de bolso, esta tinha sempre uma capa e contracapa a cores e, por norma, era mal impressa. Inocente em termos de conteúdos, totalmente acrítica, esta pouco vinha acrescentar ao que se vinha a fazer durante a década.

A revista dura pouco mais de um ano e após um interregno de três semanas ressurge com um novo nome, Pop Disco

Nem uma nem outra traziam nada de novo. Já a CineDisco conseguia abrir uma ruptura tanto a nível gráfico como de conteúdos. Editada a partir de Dezembro de 1968, pela primeira vez Portugal passava a haver uma revista dedicada exclusivamente ao sector etário juvenil onde se podia ler artigos mais ou menos informados sobre música e moda, culturas e subculturas. 

Graficamente a revista estava ao nível do conteúdo, quebrando as linhas rígidas pela qual se regiam as anteriores publicações, trabalhavam com uma liberdade única na altura. Nas suas páginas abriam-se diálogos entre os elementos gráficos e o texto, em trabalhos de imagem onde a fotografia e o lettering, sob uma inspiração pop psicadélica, ganhavam uma fluidez e dinamismo nunca visto. 


Por diversos motivos em Agosto de 1969 a revista muda de nome para Mundo Moderno. Tal como na anterior, também esta tenta acompanhar o que se ia passando lá fora e em Portugal na música e na moda e não só. Bodypainting, ocupação de casas, andar à boleia foram algumas das novidades introduzidas em Portugal através das páginas da revista, mesmo se com alguma inocência e até desconhecimento de causa. Em termos musicais foram dados a conhecer novos estilos de música, como a soul e o reggae. Além disso, e coisa rara, a revista afirmava-se como crítica, estabelecia critérios de qualidade e, exigente, impunha às bandas uma responsabilidade social e cultural aliada à criatividade. 

No entanto, devido a uma impossibilidade de manter a periodicidade e qualidade gráfica, e talvez por outros motivos, a Mundo Moderno acaba em Janeiro de 1971.