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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 5



Hoje reconhecidos como os rapazes de fato prateado, Os Tártaros eram constituídos por Eduardo Alves na bateria, Hernâni de Melo no baixo e harmónica, Alberto Abreu na guitarra ritmo e órgão, e Joaquim Gualter. Tornando-se rapidamente conhecidos pelas suas actuações nos festivais do Teatro Sá da Bandeira onde costumavam ser acompanhados por Armindo Rock, estes editam o seu primeiro EP, em 1964, conseguindo a proeza de vender 2.000 cópias. O disco, com quatro faixas, contém, à semelhança da maioria dos discos da altura, versões instrumentais de temas tradicionais como Oh Rosa Arredonda a Saia mas também um original, o hino do conjunto, Tartária. Aproveitando o sucesso deste, a Rapsódia edita nesse mesmo ano mais um EP, conseguindo ir à televisão e tocar no Teatro Monumental em Lisboa. Após um interregno de um ano, em 1966, voltam a editar mais um EP e no ano seguinte lançam o seu último disco com um registo musical diferente, mais Beatles, e que já inclui duas faixas em inglês.


Allan Twist, embora oriundo de Lisboa, estreou-se no Salão de Festas Rádio Clube do Porto e foi nessa cidade que construiu carreira. Recusando-se a participar em festivais rock porque "os cachets pagos não valiam a pena", conseguiu durante alguns meses fazer uma carreira nos palcos do Algarve juntamente com Kindal, um ilusionista, e onde cantou acompanhado pelos Cábulas, de Olhão, e posteriormente pelos Gatos Dourados. Finda a época balnear, Allan Twist volta ao Porto onde se junta aos Seis Fantasmas do Diabo e no final de 1964 aos Blusões Negros. Consegue entre 1964 e 1966, dar um total de cento e um espectáculos, formar um clube de fãs e começar a gravar um disco, que nunca chega a terminar devido às condições técnicas do estúdio. É nessa altura, em que toca acompanhado pelos Nautilus, que é chamado para incorporar o exército. Apesar da sua carreira em Portugal ter sido interrompida, em 1968 Allan Twist ainda dá sinais de carreira artística, sendo noticiado na revista Plateia como tendo formado um grupo com outros militares de nome Becca 34. Nessa mesma entrevista afirmava ainda o desejo de voltar aos palcos "civis”, algo que não se sucedeu…

quinta-feira, 24 de março de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 14

Conscientes do seu potencial económico, por todo o país começaram-se a organizar festivais semelhantes aos que já se tinham realizado em Lisboa e Porto, dando oportunidade às novas bandas para tocarem ao vivo e saírem do circuito das feiras e arraiais.

Em Maio desse ano realizouse o Festival de Ritmos Modernos de Braga, com Os Diablos, Armindo Rock e os Tártaros, Allan Twist e o seu conjunto e Tony Miguel e os seus Twisters. Em Julho realizou-se um outro no Palácio de Cristal ao qual comparecem cerca de 10.000 espectadores! Foi nesta altura que Francoise Hardy veio ao Teatro Monumental - num concerto em que após 25 minutos de ter começado a polícia dispersou a plateia-, que Sylvie Vartan cantou no Coliseu do Porto e que o Duo Ouro Negro passou pela capital, em vésperas de se tornarem estrelas internacionais.

Mas a "invasão" estrangeira não se deu só por via da música. Com a ideia de que o turismo era a única maneira de saldar o défice orçamental de Portugal, começou-se a apostar nesta indústria. Transformada a costa numa estância balnear, começaram a chegar turistas especialmente de Inglaterra, Alemanha e Espanha que encontravam em Portugal um destino barato. Com eles, além do dinheiro, chegavam novos hábitos, vivências e exigências. Com a necessidade ou obrigação de entreter, abriram boites e os hotéis e casinos tornaram-se locais de actuações ao vivo, contratando para esse efeito as novas bandas.