Mostrar mensagens com a etiqueta Conjunto Jorge Machado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conjunto Jorge Machado. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Os Verdes Anos (1960-1963): Parte 2



Tal como Os Conchas, Daniel Bacelar começa a cantar por influência dos seus ídolos americanos e rapidamente se tornou o “Ricky Nelson português”. Natural de Lisboa, tinha 17 anos quando grava o seu primeiro disco, o 7” repartido com Os Conchas, mas, ao contrário destes, toca dois originais, Fui Louco por Ti e Nunca. Auto-descrevendo a sua música como do "género cowboy, isto é, género Ricky Nelson" neste disco é acompanhado pelo Conjunto Jorge Machado. A esta primeira experiência segue-se o EP onde é acompanhado pelo Conjunto Abril em Portugal e, de seguida, pelos Gentlemen. Estes acompanham-no em três discos, onde exploram outros estilos então em voga, desde o surf ao twist, cantando em português, espanhol e inglês.




Mas, tal como a maioria dos conjuntos portugueses, devido aos estudos e ao serviço militar, os Gentlemen também não duram muito e Daniel Bacelar, nos últimos dois discos, é acompanhado pelos Siderais e pelos Fliers. Apesar de ter gravado um total de seis discos, além daquele com Os Conchas, e de ter tido uma das mais prolíferas carreiras dentro do género durante toda a década, Daniel Bacelar opta por ingressar os quadros da TAP Air Portugal, como forma de ver o mundo lá fora. No entanto, ainda hoje, Daniel Bacelar canta e grava com os amigos dessa época.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte I



Introdução

É logo em 1955, com a estreia de Sementes de Violência (Blackboard Jungle, 1955) de Richard Brooks, que se ouve, pela primeira vez, rock ‘n’ roll em Portugal. O Ritmo do Século (Rock Around The Clock, 1956), Uma Rapariga com Sorte (The Girl Can't Help It, 1956), Rock, Rock, Rock (1956) seriam os seguintes nessa invasão americana que traria a um país isolado do mundo música actual, feita por e para jovens. Nas imagens à qual o rock ‘n’ roll servia de banda-sonora, viam-se danças, penteados, roupas, expressões, comportamentos que logo se começa a imitar, experimentando o que se tinha ao alcance. Assim, tal como o que se via no ecrã, jovens começam a tocar viola, imitam os penteados, improvisam roupas, e recorrendo a jukeboxes, colocadas em bares e colectividades, ouve e dançam os novos ritmos vindo da América. No final da década de 50 existia então, e finalmente, rock ‘n’ roll em Portugal.

É precisamente nesta altura que são feitas as primeiras gravações. Dividido em duas vertentes, por um lado assiste-se à adaptação do rock 'n' roll como um novo ritmo, inserido numa vertente mais jazzística, executada por orquestras de casino e conjuntos do Parque Mayer - é dentro deste registo que Shegundo Galarza e seu Conjunto grava Rock 'n' Roll (Ritmo com Teclas)” e Conjunto Jorge MachadoRock 'n' Roll Rag, ambos para a Discos Estoril -; por outro surgem aqueles que absorvem a música como parte de uma cultura, que a vivem como forma de afirmação e tomada de posição. É o caso de Joaquim Costa e os Rapazes da Estrela, que assinam a primeira gravação de rock ‘n’ roll feita em Portugal, datada de 1959, ainda que apenas em acetato e sem edição comercial; de Alfredo Laranjinha, que também grava um acetato nesse final de década, acompanhado por Luís Waddington do recém-formado Conjunto Nova Onda; e da Zurita de Oliveira que grava, esta sim, comercialmente, O Bonitão do Rock, uma música de contornos rock ‘n’ roll que tem a particularidade de ser da sua própria autoria. No entanto, passa despercebida. O seu terreno era outro, o fado...