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sábado, 4 de janeiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 2


Os Sheiks tiveram origem nos Windsors, um conjunto da Alameda D. Afonso Henriques, Lisboa, pouco depois de estes conhecerem Paulo de Carvalho. Formados por Carlos Mendes na guitarra ritmo, Paulo de Carvalho na bateria, Jorge Barreto no baixo e Chaby Miranda na guitarra solo, decidem então mudar o nome do conjunto. Já com uma atenção, pouco comum na altura, para o marketing, recorda Paulo de Carvalho, que se juntaram “num café na Avenida Guerra Junqueiro, o Copacabana, e cada um trouxe vários nomes. Qual era a ideia? Um nome pequeno, com primeira sílaba acentuada, e que pudesse ser lido aqui e no estrangeiro. Por isso, de entre vários nomes escolhe[ram] Sheiks". Entretanto sai Jorge Barreto e entra Edmundo Silva, vindo do Conjunto Mistério e levando o grupo mais a sério, decidem arranjar um técnico de som, Henrique Graça, e um manager, Rui César Simões.

Com o primeiro EP, editado em 1965, a chegar ao terceiro lugar do top de vendas e um contrato como banda residente da boîte O Tosco, os Sheiks começam a ser convidados regularmente para animar festas e bailes em faculdades, assim como festas particulares. Seguem-se aparições na televisão e revistas e o lançamento de inúmeros EP’s. Entre 1965 e 1966, como António Duarte no seu A Arte Eléctrica de Ser Português constata, pode dizer-se que se vivia uma sheiks-mania. 


Atingindo proporções internacionais, os Sheiks viram nesses mesmos anos os seus discos serem editados em Inglaterra, Brasil, Espanha e França e em 1966 são contratados para substituir os Troggs, como banda residente do Bilboquet, um clube de jazz parisiense com boîte no piso inferior. Deste período em Paris fica um registo discográfico e um convite, que não puderam aceitar, para voltar para um concerto no Olympia e aparições na televisão. 

Regressam a Portugal e Carlos Mendes é substituído por Fernando Tordo, dos Deltons e entra Luís Moutinho, dos Farras para substituir Paulo de Carvalho. Este, que sempre foi mais dado à música negra norte-americana e à bossa-nova, vertentes que nunca pôde desenvolver nos Sheiks porque, como o próprio diz, "perdia sempre 3 a 1", junta-se então aos Thilo’s Combo. Pouco depois, na altura em que cumpre o Serviço Militar, forma a Banda 4 e depois os Fluído, onde explora vertentes mais psicadélicas.  
(retirado de osreisdoyeye.blogspot.com)

A partir de 1970 opta por uma carreira a solo, explorando também outras áreas artísticas. Os restantes membros prosseguem igualmente carreiras a solo. 

Os Sheiks voltam, no entanto, a juntar-se em 1979, altura em que editam dois LP’s, Pintados de Fresco e Com Cobertura. Separam-se mais uma vez mas durante as décadas seguintes juntam-se ocasionalmente culminando, em 2008, num espectáculo teatral onde, de uma forma humorística, recontam as histórias da banda nos anos 60, intercalando com músicas de então.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 32

Em Portugal as bandas continuavam a surgir, embora em menor quantidade, e as ainda existentes começaram a experimentar abordagens mais imaginativas e consistentes, mas sempre com pouco êxito comercial. Ultrapassado o yé-yé e com a introdução de novos estilos de música, acompanhados pela surgimento de novas editoras, como a Movieplay ou a Clave, surgem o Grupo 5, dentro da pop psicadélica, a Filarmónica Fraude, que iria dar que falar nos anos seguintes, o Trio Barroco com Jean Sarbib a desenvolver a sua vertente mais jazzística, Banda 4 com Paulo de Carvalho depois do fim dos Sheiks, Tibério e Lúcia dos Açores, os Objectivo, os Nómadas, entre outros.


Enquanto isso bandas como os Tubarões de Viseu ou o Conjunto Universitário Hi-Fi moviam-se para estéticas mais psicadélicas que se reflectiram em composições como "Poema do Homem-Rã", dos primeiros, ou "Words of a Mad", dos últimos. Ouve-se ainda falar dos Vodkas da Figueira da Foz, dos Celtas, que no ano seguinte lançariam um EP na Marfer, de Nuno Filipe e dos Keepers.


Nas colónias, os Inflexos já andavam em "aventuras psicadélicas" com "luzes extravagantes" e pedais wah-wah, influenciados pelas viagens a Joanesburgo. Em Lourenço Marques os membros dos H20 criaram a revista Onda Pop para acompanhar o que se ia passando. Também em Moçambique formaram-se os Scarecrows e em Angola realizou-se o 2º Grande Festival Ié Ié com os Five King, de Luanda, Mísseis de Malange, Rhytmo Boys de Benguela, 007 de Nova Lisboa, Satélites de Lobito e os Indómitos de Luanda. Foi no final deste ano que os Jotta Herre conheceram Paul McCartney no hotel onde eram a banda local e que este lhes escreveu uma música, "Penina".



Entretanto, Salazar caiu da cadeira, Marcelo Caetano foi nomeado Presidente do Conselho e no dia 25 de Dezembro foi oferecido a Portugal o segundo canal da R.T.P.