Já com algum nome dentro de outros géneros, 1963 é também
o ano em que Paula Ribas vinga no twist. Nascida em Faro, Paula Ribas estreia-se ainda na década
de 50 no Serões para Trabalhadores, conseguindo nos anos seguintes
actuar por todo o país e até ter projecção internacional. Em 1963 grava a
música pela qual hoje é conhecida, Vamos Dançar o Twist, onde tenta ensinar
os passos dessa dança. A sua carreira prolonga-se por mais uns anos cruzando-se
regularmente com as novas correntes pop/rock
sobretudo no final da década de 60, apostando sobretudo em versões das quais se
destaca a versão de “Pena Verde” de Abílio Manoel.
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sábado, 8 de junho de 2013
"Os Verdes Anos" (1960-1963): Parte 9
Já com algum nome dentro de outros géneros, 1963 é também
o ano em que Paula Ribas vinga no twist. Nascida em Faro, Paula Ribas estreia-se ainda na década
de 50 no Serões para Trabalhadores, conseguindo nos anos seguintes
actuar por todo o país e até ter projecção internacional. Em 1963 grava a
música pela qual hoje é conhecida, Vamos Dançar o Twist, onde tenta ensinar
os passos dessa dança. A sua carreira prolonga-se por mais uns anos cruzando-se
regularmente com as novas correntes pop/rock
sobretudo no final da década de 60, apostando sobretudo em versões das quais se
destaca a versão de “Pena Verde” de Abílio Manoel.
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segunda-feira, 3 de junho de 2013
"Os Verdes Anos" (1960-1963): Parte 8
O segundo destes novos eventos é organizado pelo Cinema
Roma, em Lisboa, para promover o filme Mocidade
em Férias (Summer Holiday,1963) de Peter Yates com Cliff Richard e os
Shadows. Intitulado Concurso de
Conjuntos Portugueses do tipo dos The Shadows este ocorreu ao longo de
Setembro de 1963 e participaram um total de 22 conjuntos. Tendo como “critério
de avaliação a semelhança com os Shadows” chegaram à final, realizada no dia 4
de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Os Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen e o Conjunto Mistério de Fernando Concha (inscritos como Mascarilhas).
Oriundos de Matosinhos, Os Titãs eram
constituídos por Fernando Costa Pereira, João Lourival, Simões Carneiro e João
Braga e gravam logo em 1963 o seu disco de estreia onde, em versões
instrumentais surf, ou à Shadows, “há desde o folclore,
representado pela Canção da Beira e Vira da Nazaré, até à balada
de Coimbra”. Nesse mesmo ano vêem editado mais um EP onde está incluído o
seu Tema para Titãs. Com carreira interrompida devido ao serviço militar,
em 1967 anunciam o seu regresso com uma nova formação, que incluía José Lello no
saxofone e voz, o que desde logo indiciava uma mudança no seu som. No entanto, é apenas dois anos depois, em
1969, que gravam aquele que seria o seu último EP. Um disco com uma
consistência e maturidade quase raras em Portugal ao enveredar por sonoridades beat com toadas psicadélicas, desta vez
cantando em inglês mas também fazendo uma versão de uma música tradicional de Miranda do Douro, Mira-me
Maria (no original Mira-me Miguel). Separando-se pouco depois, José Lello ainda tenta uma carreira a
solo antes de ingressar na política.
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| (retirado de underrreview.blogspot.com) |
Formados a partir de ex-membros do Conjunto Nova Onda, o Conjunto Mistério são hoje
conhecidos pela sua imagem de marca, o uso de mascarilhas. Constituídos por
Luís Waddington, Edmundo Silva, Michel Mounier e António Moniz Pereira, tornaram-se
rapidamente um dos mais famosos conjuntos de então, reconhecidos pelo seu
"virtuosismo, experiência e simplicidade de meios empregados, não
olvidando clara noção rítmica", como descreve o Diário Popular de então, e
pela adaptação de musicas populares portuguesas, como Coimbra Menina e Moça,
Alecrim aos Molhos e Oliveirinha da Serra. O Conjunto Mistério ficou também conhecido por ter acompanhado nomes
tão diversos como Fernando Concha, Duo Ouro Negro e Dário de Barros. Com a entrada de Edmundo Falé para as vozes e Edmundo Silva a sair para os Sheiks, pelo Conjunto Mistério passaram
ainda Mário Terra e mais tarde José Cid. Com estas alterações começa-se a
assistir um afastamento do som “à
Shadows” para aproximações aos Beatles. Mas o conjunto opta por terminar
e alguns membros juntam-se para formar o que seria o Quarteto 1111.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
"Os Verdes Anos" (1960-1963): Parte 7
O outro participante do Concurso do Rei do Twist, Fernando
Conde, filho do empresário Arlindo Conde, começou a cantar
influenciado não pelos Shadows, como a maioria de então, mas pelo rock 'n' roll americano
dos anos 50. Primeiro acompanhado pelos Las Vegas, e depois pelos Electrónicos, Fernando Conde estreia-se na festa de coroação do Rei da Rádio de 1962. No ano seguinte
consegue um segundo lugar no concurso para eleição do "Rei do Twist"
do Monumental. Tornava-se assim "uma estrela do Rock ‘n’ Roll em
Portugal”.
“Elegante, sempre bem vestido, com fatos apropriados
(alguns brilhantes), com franja, poupa e cara de menino de coro, mas possesso
duma certa expressão rocker”, segundo
António Duarte no seu A Arte
Eléctrica de Ser Português, “Fernando Conde era o modelo acabado do
Cliff Richard português, ídolo à reduzida escala nacional, de meninas colegiais
com "emoções" à flor da pele e de rapazes ávidos por bailes,
divertimentos e aventuras”.
Entre 1963 e 1964 percorre o país acompanhado pelos Electrónicos, quatro rapazes com idades
entre os 16 e os 19 com "aspecto de jovens saudáveis, apesar de bastante
magros", segundo a Plateia, mas
separa-se deles pouco depois, porque, como o próprio afirmou, "o desejo de
independência é sempre peculiar aos jovens". Em 1965 junta-se aos The Satins,
banda de Liverpool que se encontrava em Portugal como residente do Casino da
Póvoa do Varzim e que fizera uma das primeiras partes do concerto dos The Searchers no Monumental, chegando a
gravar um EP com eles. Em 1966 ainda tenta a carreira internacional, actuando
em Madrid, mas a iminência do serviço militar pôs um fim à sua carreira.
Do último participante, Nelo do Twist, pouco se
sabe. Depois de se ter estreado com êxito em 1963 num espectáculo no ABC, decide
abandonar o seu trabalho de vendedor de carros e enveredar numa carreira
musical cantando, segundo o próprio em entrevista à Plateia, “sempre dentro da música moderna de Jazz”. Sem grande
sucesso – nunca chegou a gravar - em 1965 é noticiado o seu abandono do twist
para se dedicar ao fado em Madrid, uma vez que "em Portugal os artistas
são como frigoríficos...Só fazem falta no Verão..."
quarta-feira, 15 de maio de 2013
"Os Verdes Anos" (1960-1963): Parte 4
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| Joaquim Rodrigo, S.M., 1961 |
Se 1961 foi o ano da criação da Polícia de Choque e o do
desvio do navio Santa Maria, o ano de 1962 fica marcado pela crise académica.
Após o governo ter proibido o Dia do Estudante, sucederam-se manifestações
estudantis e foi declarado "luto académico". Estes, já politizados,
entram numa batalha, muitas vezes física, que atravessa toda a década de 60.
Entretanto chega também o Novo Cinema Português com novas realidades e realismos.
Na maior parte da música portuguesa nada disto que se estava a passar teve qualquer
eco…
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| Paulo Rocha, Verdes Anos, 1963 |
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| Fernando Lopes, Belarmino, 1964 |
E continuam a formar-se conjuntos...Os F.B.I. são um das dezenas de conjuntos que, tal como o Nelo do Twist e seus Diabos, Jovens do Ritmo, Panteras do Diabo, Juventude Dinâmica ou Armindo Rock, aparecem nestes primeiros anos e dos quais não ficam registos fonográficos. Há, no entanto, outros casos melhor sucedidos que marcam estes primeiros anos da década de 60 e que conseguem gerir carreiras que duram alguns anos. É o caso de Sousa Pinto e o seu Conjunto, grupo do Porto dentro da linha dos Shadows, surf à portuguesa, que logo em 1962 conseguem gravar o primeiro de seis discos.
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| (retirado de guedelhudos.blogspot.com) |
Outro caso é o dos Duques.
Editando um total de cinco discos entre 1962 e 1967, estes são os primeiros a
tentar, e a conseguir, uma carreira no estrangeiro, neste caso em Espanha. O
grupo separa-se em 1968 e o vocalista, Johnny Galvão, junta-se aos Los Buenos, banda de soul/ beat espanhola.
É também nesta altura que os Guitarras de Fogo começam a tocar mas só conseguem gravar anos mais
tarde. Sem grande impacto Os Dois Rapazes,
o Conjunto Nova Onda e os Telstar conseguem também um gravar um
primeiro e único EP antes de desaparecer...
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
Os Verdes Anos (1960-1963): Parte 3
Estava-se em 1961 e numa altura em que "o público est[ava] arreigado à ideia, aliás
falsa, de que o rock é uma música para teddy boys, uma música para
transviados e que concorre para actos menos dignos". Por essa
razão, cuidadosamente, alguns músicos optam por uma "nacionalização do rock",
como lhe chama Zeca do Rock, por "criar um estilo de Rock português" para afastar essas conotações.
| (retirado de guedelhudos.blogspot.pt) |
Assim, a partir daí, começam a fazer e a ouvir-se músicas
com nomes como Nazaré Rock e Hino a Jesus, assim como versões
instrumentais e "modernas", à Shadows,
de temas tradicionais, como o Vira da Nazaré, tocado pelos Titãs ou o Alecrim tocado pelo Conjunto Mistério. Por opção ou por obrigação, o que é certo é que tocar temas populares era uma
forma de agradar a novos e velhos e de conseguir mais oportunidades de tocar ao
vivo em bailes e festas privadas sem causar grande alarido. Opção que fazia
algum sentido especialmente quando os jovens músicos dependiam dos cachets
recebidos nestes circuitos para pagar as prestações dos instrumentos. Caso contrário, como
constata António Duarte no livro A
Arte Eléctrica de Ser Português, quando “os bailaricos em liceus, em
colectividades ou centros de convívio não chegam para arranjar a massa, são os
pais que cobrem a despesa das prestações"…
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| (retirado de aja.pt) |
Os alinhamentos dos conjuntos nestes anos consistiam,
por isso, nessas versões de temas populares, adaptadas a ritmos modernos, ou
não, mas também versões portuguesas de êxitos internacionais. Esta era também uma
das exigências das editoras, caso quisessem gravar e, como tal, era comum que
os conjuntos se dedicassem a essa “arte” da imitação, que, de resto, como se
verá mais adiante, era louvada e premiada pelas instituições e autoridades. A
criatividade e a originalidade dos conjuntos limitava-se, nessa forma redutora
e auto-censória, à tradução livre da letra inglesa e a algumas composições dos
autores que talvez tivessem sorte de alguém gostar…
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