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quarta-feira, 25 de outubro de 2017
domingo, 22 de outubro de 2017
sábado, 8 de abril de 2017
"A popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós" (Parte 4)
«De volta aos “chefes da cultura da música pop”, no final
da década, tanto nos jornais como nas revistas, sobretudo nas novas,
escreveu-se um pouco mais sobre a sua música. Entendia-se que depois de “Sgt. Pepper's
Lonely Hearts Club Band” a pop tinha
subido de nível, chegado “a um estado com o qual não se sonhava: o da arte”. Como
se lia n’O Século, “agora os Beatles
são músicos a sério” e comparavam-nos, inclusivamente, com Schubert. No Diário de Lisboa, com o seu jornalismo
mais informado, crítico, e que em entrelinhas contornava os vigilantes como
podia, salientou-se como os Beatles tinham
trazido “uma nova perspectiva à música moderna”. Tanto a nível internacional
como nacional, como se percebe nos discos dos Jets, dos Quarteto 1111 e
da Filarmónica Fraude.
Mas por essa altura, “os quatro campeões de Liverpool” já
estavam divididos entre a música, cinema
e a meditação e separados entre si. Algo que fez com que, em termos mediáticos,
cada um ganhasse o seu espaço individual. A maior parte da atenção recaiu, por
razões óbvias, sobre Paul McCartney, cuja estadia em Portugal serviria para
propagandear o Algarve, e sobre John Lennon. Já com Yoko Ono, entre 1968 e
1969, fala-se da excentricidade do casal – chegaram a ser capa do Diário de Lisboa – assim como dos seus
vanguardismo e experimentalismo, tanto na música como no cinema. Mas isso já é
outra conversa, outra revolução. A décima
talvez...
*
Voltando ao início, conforme comentava o director
comercial da Valentim de Carvalho,
«os Beatles nunca tiveram grande êxito entre nós». Talvez porque não tenham
vendido tanto como se esperava. Mas sobre eles escreveu-se mesmo muito. E
porque já nem todos temos tempo nem paciência para folhear esses jornais, fica
aqui compilado o melhor do que então se publicou. “Dear Sir or Madam, will you
read this book?”»
"A
popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós"
in
sexta-feira, 7 de abril de 2017
"A popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós" (Parte 3)
«Estava-se em 1968 e se em Portugal ainda “não havia” o
L.S.D. nem sequer a erva que aquele e outros jornalistas referiam, pelo menos a
partir desse ano iria ter-se uma, ou a,
Drug Store…Situada numa cave da Avenida da Liberdade, em Lisboa, esta “Mini
Carnaby Street”, como optimisticamente a descreveram, continha boutiques, uma discoteca e snack-bar e seria aí onde se venderia
“vestuário de motivos decorativos mais ou menos psicadélico”, os novos discos
assim como cartazes e artefactos hippies
importados. Puderam alguns viver dessa forma, com outras cores e sons, a dita
“primavera marcelista” … Em termos de publicações, é nesse período de maior
abertura do Estado Novo que aparece A
Capital, um jornal que também não ganharia grandes simpatias da parte do
regime, embora dissesse pretender ser mais popular do que político. É também
nesse final de década que surgem as revistas Cine Disco, Mundo Moderno,
Mundo da Canção e a Clube 21. Geridas por gente comprometida
com as novas causas juvenis, expressavam-se aí novas perspectivas que se
reflectiam na linguagem gráfica, agora mais livre, colorida ou até psicadélica.»
"A
popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós"
in
quinta-feira, 6 de abril de 2017
"A popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós" (Parte 2)
«Retomando o ano de 1964, nos primeiros meses entendiam-se
ainda os Beatles como apenas mais um
conjunto e a maioria (sobretudo dos leitores) esperava que como moda fosse
efémera. No entanto, a “invasão britânica” aos Estados Unidos e a transformação
dos Beatles num fenómeno pop veio contradizer essas “análises”. A
meio da década, as revistas começaram então a explorar a já apelidada de Beatlemania e entre 1964 e 1966
encheram-se centenas de páginas para falar de tudo o que dizia respeito aos Beatles. Falou-se das namoradas, das
noivas, das mulheres, das famílias. Descreveu-se a euforia vivida nos
concertos, os “desmaios colectivos, crises de histerismo”, como as “raparigas
com os olhos fora das órbitas, ajoelhavam-se” quando os viam, e, entre os fans destacou-se “uma admiradora - a
rainha”. Opinou-se muito, quase obsessivamente, sobre cabelos, “cabeleiras”,
sobre os “guedelhudos”. Com toda esta campanha e simpatia estabeleceram-se os Beatles como a principal referência
musical da «juventude “nova vaga”» e esta começou a imitá-los como podia ou
sabia. Assim, pouco depois, já se ouviam centenas de conjuntos portugueses a
tocar ao vivo por todo o país e em discos, começava-se a vestir, pentear e
dançar de outras e muitas formas diferentes, a ler novas revistas, como a Álbuns Yé! Yé!, Álbum da Canção e a Pop Cine
e a ver novos filmes...
Portugal tinha, finalmente, o seu yé-yé. Consequentemente também os seus opositores. Pais, família,
professores, padres, começaram então a preocupar-se com os ligeiros desvios (o
pior estava para vir) dessa juventude “conturbada” e “em cólera”, como
descreviam alguns. E preocupados ou fartos das “manifestações de histeria e
fanatismo” e de modo a precaver “modernismos excessivos” achavam por bem, ou
pelo bem da nação, começar a educá-los. Serviram-se para isso de algumas
páginas onde se tentava esclarecer o leitor sobre o que estava a acontecer aos
jovens, elucidando-os nas medidas a tomar.
"A
popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós"
in
quarta-feira, 5 de abril de 2017
"A popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós" (Parte 1)
«Em Agosto de 1966 lia-se numa página do jornal: “A
popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós”. No entanto, já de há três
anos a essa parte que os Beatles
figuravam em larga escala na imprensa portuguesa e, independentemente da razão,
já se tinham tornado populares. Usados conforme o gosto e a necessidade do
jornalista ou do editor e até de outras entidades maiores, os Beatles serviram para todo e qualquer
fim, como se perceberá ao longo destas 130 páginas resultantes da excelente e
incansável pesquisa de Abel Rosa.
Resumidamente, da curiosidade pelo fenómeno (1963)
passou-se à exaltação por uns e à condenação por outros (1964-65),
acompanhou-se todo o espectro da Beatlemania
para culminar, depois da “blasfémia” de John Lennon, numa reprovação (1966).
Corria então esse ano de 1966 e por essa altura os Beatles já estavam fora dos olhares e dos circuitos públicos,
trancados em estúdios (1967), deambulando pela Índia (1968), a separarem-se -
das suas mulheres e uns dos outros. As prioridades dos “quatro” eram outras e as dos jornais também
passaram a sê-lo. Assim, depois da elevação e do louvor, algumas revistas e
jornais entretiveram-se mais com curiosidades sensacionalistas e com a
divulgação dos “milhares de defeitos” dos “gadelhudos” – “virilizavam-se”,
diziam alguns – enquanto outros serviam-se dos Beatles para a divulgação paralela e furtiva de novas ideias. Da
música propriamente dita raramente se falou …Mas voltemos atrás - e
obrigatoriamente aos incontornáveis dois volumes compilados a partir de
revistas - para percebermos a ascensão e queda dos Beatles na imprensa portuguesa.
*
Terceiro fenómeno de massas juvenil – antecedido por Elvis Presley, que não teve impacto por
cá, e pelos The Shadows – os Beatles chegam a Portugal primeiramente
através das páginas dos jornais e revistas. Noticiados pela primeira vez a 25
de Outubro de 1963 no Jornal de Notícias,
na ausência de imprensa especializada, foram sobretudo as revistas informativas
- O Século Ilustrado, Flama -, as de
variedades –Plateia, Revista TV, Rádio & Televisão – e as
infanto-juvenis – Zorro – que, a
partir de 1963, deram espaço aos Beatles.
Olhando para o “quarteto de Liverpool” inicialmente com curiosidade mas logo
com estupefacção, nesse ano e no seguinte escreveu-se muito sobre os Beatles mas sobretudo como fenómeno
comercial e sociológico. Escreveu-se sobre quantos discos vendiam, sobre o
quanto ganhavam (e gastavam), tal era o pasmo com os números debitados na imprensa
internacional – chocante para o pobre Portugal desses anos – e procurou-se
perceber como aqueles quatro “gadelhudos” atingiram a dimensão que já tinham em
1964, entender o modo como se construiu o fenómeno. Sobre a música dos
“cabeludos”, pouco ou nada se escreveu, sendo a excepção Paulo de Medeiros,
responsável pela coluna “Gira Discos” no Diário
Popular, que assinou umas (poucas) linhas sobre os discos que iam sendo
editados. Seria também esse o jornal que maior atenção daria aos Beatles com a publicação regular de
notícias. Seguiram-lhe o Diário de Lisboa,
muito por causa de uma equipa mais jovem, e também o Século. De resto, foram estes os jornais que deram maior atenção e
informação mais cuidada sobre as novas correntes, sendo inclusivamente esse
último jornal o responsável pelo grande concurso yé-yé de 1965 e 1966.»
"A popularidade dos Beatles nunca foi grande entre nós"
in
sábado, 1 de abril de 2017
"Luanda Noturna" (Pop Cine, 1967)
Uns iam para a frente de batalha, outros saiam à noite. Em Luanda era assim...

domingo, 12 de março de 2017
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 15 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
sábado, 23 de março de 2013
domingo, 17 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
sábado, 27 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Tártaros (1964-1967)
Os Tártaros
Quando, no início de 60’s, o rock ‘n’ roll em
Portugal começou a morrer, já uma nova onda tinha
chegado. Proveniente de Inglaterra, encabeçada por Cliff Richard, mas logo substituída pelo grupo de suporte, The Shadows, esta seria primeira “invasão
britânica”. Rapidamente influenciando toda uma geração, começam a surgir por
todo o país dezenas de conjuntos cujos reportórios se caracterizam por instrumentais
de contornos rock, assentes sobretudo
na guitarra, com melodias fáceis, que consistiam, muitas vezes, em adaptações
de músicas tradicionais. Seriam o que a imprensa, ignorante do que se passava
lá fora, iria denominar, de “conjuntos instrumentais do tipo The Shadows”
É dentro deste cenário que numa garagem no Porto se formam Os
Tártaros. Com Joaquim Gualter na guitarra solo, Alberto Abreu na
guitarra ritmo e órgão, Hernâni de Melo no baixo e harmónica e Eduardo Alves na
bateria, Os Tártaros afirmam-se,
desde logo, como um conjunto de versões de músicas populares, à semelhança dos conterrâneos
Os Titãs ou dos lisboetas Conjunto Mistério.
O conjunto começa então a percorrer o país, sobretudo o Norte, entre
colectividades, salões e feiras, e de onde se destacam as passagens pelos festivais
do Teatro Sá da Bandeira, no Porto e pelo Festival
de Ritmos Modernos de Braga, um dos primeiros grandes festivais da época, onde
acompanham Armindo Rock, num cartaz
que também inclui Allan Twist, Augusto Rock e Os Diablos
e Tony
Miguel e os seus Twisters.
Já com nome feito, em 1964, a nortenha Rapsódia decide, então, editar-lhes o
primeiro disco, o hoje conhecido como Valsa
da Meia-noite (EPF-5242). Um EP com quatro faixas, neste constam as já
referidas e habituais versões instrumentais de temas tradicionais, neste caso de
Oh Rosa Arredonda a Saia, aqui numa
abordagem dita twist, com arranjos assinados por Francisco Teixeira. A Valsa da Meia-noite e Serei
Feliz Com O Teu Amor seriam outras das faixas, sendo esta última o que os próprios
descrevem como um tango de
contornos surf. O disco contem ainda um tema original,
Tartária, que rapidamente se
torna o hino do conjunto. O texto da contracapa, da autoria de Ribeiro
Lisboa, elucida:
"Não são, “nem por "Sombras", uma nova máxima da música
moderna. São sim, um máximo de consagradas interpretações de características
tão variadas, tão diferentes, às quais faltava esta: Guitarras Eléctricas
- instrumentos da nova vaga que fazem ressurgir, para a juventude, a música
eternizada. Indubitavelmente, eles - Tártaros - são arautos de novas
antiguidades."
O disco tem um êxito raro na
altura, conseguindo a proeza de vender 2000 cópias e de ter várias edições ao
longo da década e até nas seguintes. A capa, assinada por Teófilo Rego, consistia
numa fotografia dos quatro membros vestidos com fatos prateados, e torna-se um dos ícones da cena musical da época.
Aproveitando o sucesso deste, a
Rapsódia edita nesse mesmo ano mais um EP (EPF-5250) com quatro músicas, todas
assinadas por Nany Pratas. Desta vez um então descrito bolero rock de nome Lamento,
um shake intitulado Já Não Te Quero, Fim De Férias e uma versão de um original de P. Lee Stirling a que
dão o título de Encanto Dos Teus Olhos.
Na contracapa, Ribeiro Lisboa, descreve-os de forma quase eufórica:
“Num estilo reconhecido por TÁRTAROS o pregão juvenil de
maior êxito que a nova vaga faz repercutir em eco constante TA…TAR…TÁRTAROS,
não se limitou o jovem conjunto aos sucessos da música de outrora. Foram mais
além: interpretando inéditas melodias que sai uma afirmativa do seu talento
modernista, conquistam a vanguarda musical. Portuguesa, aos mais internacionalizados
GUITARRAS ELÉCTRICAS.”
Mas os tempos estavam a mudar. A explosão de conjuntos que se deu no princípio
da década de 60 influenciados pelos Shadows
aumentou substancialmente com a entrada em cena dos Beatles e graças a caridade de um homem chamado Gouveia Machado,
dono de uma loja de instrumentos em Lisboa que possibilitava aos jovens pagarem as
guitarras e baterias a prestações. Assim, com novas referências musicais e
instrumentos actuais, a partir de 1964 começam a surgir centenas de grupos, já
não apenas na capital e Porto, mas por todo o país. Para acompanhar isto é organizado um grande concurso yé-yé no Teatro Monumental,
em Lisboa, que dura quase todo o ano de 1965,
prolongando-se as meias-finais e as finais para 1966.
Os Tártaros, já não de prateado mas envergando um fato azul com
gola de veludo, participam na 10ª eliminatória, que decorre em Outubro de 65,
e apresentam um novo reportório que consiste em Apelo, Pistoleiro, Sonho dum Poeta, Beijos Teus, Engano e Vento. Nessa mesma tarde participam também Os Penumbras, de Olhão, Os Invisíveis, de Lisboa, os Corsários Negros, de Águeda, e os Guitarras de Fogo, da Costa da Caparica. São estes últimos os vencedores dessa eliminatória,
com as suas versões instrumentais dos Beatles. Os Tártaros ficam em segundo
lugar, merecendo um “honroso” comentário a propósito das suas composições,
todas elas originais e em português, de que dado essas características "é
uma intenção louvável, tanto mais que a maioria dos conjuntos do género procura
as composições estrangeiras”... As intenções não serviram de nada, como se viu,
mas como o público aplaudiu fervorosamente Os
Tártaros ainda voltam a tocar na meia-final. Dessa vez conseguem
apenas o 5º lugar, numa eliminatória que seria ganha pelos Sheiks...
Mas nem tudo ficou perdido e a seguir ao Concurso do Monumental seguem-se
idas à televisão, um contacto para uma estadia de três meses como banda
residente de uma discoteca em Luanda e as músicas que tocaram no
festival dão origem a mais um EP, outra vez editado pela Rapsódia (EPF-5282).
Mais influenciado pelos Beatles, com
vocalista, as músicas, todas elas originais e assinadas pela dupla J. Gualter e
J. Magalhães, são descritas na contracapa como de ritmo shake. Ouvia-se a viragem no som d’Os Tártaros, um
afastamento progressivo do surf e a
procura de um som mais próprio ou, pelo menos, mais actual.
No ano seguinte, 1967, é editado o que seria o seu último EP (EPF-5356), com quatro faixas, Magic
Moment, Não Quero Ir À Tua Festa, Since I've Lost My Mind (For You) e Não Quero Nada. Mas este não atinge o êxito esperado,
razão pela qual hoje em dia é praticamente impossível de encontrar. O conjunto
começa então a fazer alterações de formação, em tentativas de renovação, e
acaba por dissolver-se pouco depois. Uns abandonam a música, outros, como foi o
caso do baixista Alberto Abreu, do baterista Eduardo Alves e André
Sarbib, que entretanto se tinha juntado ao grupo para tocar órgão, formam o Grupo 5, enveredando por uma
vertente mais soul e psych.
No entanto Os Tártaros não seriam
esquecidos, até porque foram dos grupos portugueses que mais venderam nessa
década, e nos anos seguintes suas músicas constam de compilações como a Recordando… (LDF- 042), um LP editado
pela Rapsódia onde figuram ao lado d’Os
Espaciais, Os Morgans e Cinco Bambinos,
que viria a ser reeditado posteriormente, com outra capa e título, Valsa da Meia-noite. Já nos anos 90 a
Edisco edita um CD com o “melhor dos” Tártaros e uma compilação intitulada Rock
do Porto 1965/1968, onde voltam a
aparecer ao lado das mesmas bandas atrás referidas. Nos anos 2000, num
contexto de investigação sobre o rock
em Portugal na década de 60, Os Tártaros
fazem parte dos dois primeiros volumes dos Portuguese
Nuggets editados em LP pela Galo de Barcelos Records, com as músicas Tartária e Oh Rosa Arredonda a Saia,
respectivamente. Em 2012, quase
50 anos depois de se terem formado, são antologiados pela Groovie Records em vinil.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Boites
"Boîte -- Das evoluções semânticas mais espantosas. Nos anos 60 era uma
palavra que designava a cave moderna e escura ié-ié, onde se dançavam os
inefáveis slós e os trepidantes «twists». Por essa altura, discoteca
era expressão exclusivamente reservada a lojas de venda de discos (a
Arnaldo Trindade, a Discoteca do Carmo, a Discoteca Universal). Só nos
anos 70, com a abertura do Charlie Brown, José Manuel Simões impôs à
Direcção-Geral de Espectáculos o termo discoteca no novo sentido de
lugar para dançar. «Boîtes» eram todas as outras, do Palm Beach, em
Cascais, ao Caruncho, em Lisboa.
Depois, por razões obscuras, passou a ser a denominação eufemística das casas de meninas. É mesmo o termo oficial, aquele a que quase todas aderem. O pobre do «dancing», que fora apanágio do Nina ou do Maxime, é hoje preterido unanimemente a seu favor.
Na pré-história disto tudo circula o «cabaret» da viragem e do princípio do século (de que o «cabaret» berlinense é caso à parte) e, já na idade média da democratização da noite, o «caveau» existencialista, que cresceu como cogumelos nos anos 50, à sombra da Gréco e das fumarolas existencialistas de Montmartre.
Mas, nesta como noutras questões linguísticas, o legado francês tende para a obsolescência. Hoje em dia, já ninguém diz que vai a uma «boîte», a não ser por piscadela de olho saudosista, e as noites têm especializações que só a noite conhece: «raves», bares, «after-hours», que acontecem conforme a hora e o local em que se encontre."
In Jornal Público
quexting.di.fc.ul.pt/teste/publico94/ED940203.txt
Cortesia de sf
Depois, por razões obscuras, passou a ser a denominação eufemística das casas de meninas. É mesmo o termo oficial, aquele a que quase todas aderem. O pobre do «dancing», que fora apanágio do Nina ou do Maxime, é hoje preterido unanimemente a seu favor.
Na pré-história disto tudo circula o «cabaret» da viragem e do princípio do século (de que o «cabaret» berlinense é caso à parte) e, já na idade média da democratização da noite, o «caveau» existencialista, que cresceu como cogumelos nos anos 50, à sombra da Gréco e das fumarolas existencialistas de Montmartre.
Mas, nesta como noutras questões linguísticas, o legado francês tende para a obsolescência. Hoje em dia, já ninguém diz que vai a uma «boîte», a não ser por piscadela de olho saudosista, e as noites têm especializações que só a noite conhece: «raves», bares, «after-hours», que acontecem conforme a hora e o local em que se encontre."
In Jornal Público
quexting.di.fc.ul.pt/teste/publico94/ED940203.txt
Cortesia de sf
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