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quarta-feira, 15 de maio de 2013

"Os Verdes Anos" (1960-1963): Parte 4



Joaquim Rodrigo, S.M., 1961
Se 1961 foi o ano da criação da Polícia de Choque e o do desvio do navio Santa Maria, o ano de 1962 fica marcado pela crise académica. Após o governo ter proibido o Dia do Estudante, sucederam-se manifestações estudantis e foi declarado "luto académico". Estes, já politizados, entram numa batalha, muitas vezes física, que atravessa toda a década de 60. Entretanto chega também o Novo Cinema Português com novas realidades e realismos. Na maior parte da música portuguesa nada disto que se estava a passar teve qualquer eco… 

Paulo Rocha, Verdes Anos, 1963
Como que alheios a tudo o que se passava em Portugal, e no mundo, as letras dos conjuntos continuavam a ser versos pobres sobre amores juvenis, ou más traduções das letras estrangeiras. Concursos como o Rei da Rádio Portuguesa, cuja eleição era feita através de votos dos leitores, demonstram bem a cultura musical e o gosto dos portugueses. No ano de ’62 o primeiro lugar é atribuído a Fernando Farinha, o segundo a António Calvário e o terceiro lugar a Tony de Matos.


Fernando Lopes, Belarmino, 1964

E continuam a formar-se conjuntos...Os F.B.I. são um das dezenas de conjuntos que, tal como o Nelo do Twist e seus Diabos, Jovens do Ritmo, Panteras do Diabo, Juventude Dinâmica ou Armindo Rock, aparecem nestes primeiros anos e dos quais não ficam registos fonográficos. Há, no entanto, outros casos melhor sucedidos que marcam estes primeiros anos da década de 60 e que conseguem gerir carreiras que duram alguns anos. É o caso de Sousa Pinto e o seu Conjunto, grupo do Porto dentro da linha dos Shadows, surf à portuguesa, que logo em 1962 conseguem gravar o primeiro de seis discos.

(retirado de guedelhudos.blogspot.com)
Outro caso é o dos Duques. Editando um total de cinco discos entre 1962 e 1967, estes são os primeiros a tentar, e a conseguir, uma carreira no estrangeiro, neste caso em Espanha. O grupo separa-se em 1968 e o vocalista, Johnny Galvão, junta-se aos Los Buenos, banda de soul/ beat espanhola.

É também nesta altura que os Guitarras de Fogo começam a tocar mas só conseguem gravar anos mais tarde. Sem grande impacto Os Dois Rapazes, o Conjunto Nova Onda e os Telstar conseguem também um gravar um primeiro e único EP antes de desaparecer...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte I



Introdução

É logo em 1955, com a estreia de Sementes de Violência (Blackboard Jungle, 1955) de Richard Brooks, que se ouve, pela primeira vez, rock ‘n’ roll em Portugal. O Ritmo do Século (Rock Around The Clock, 1956), Uma Rapariga com Sorte (The Girl Can't Help It, 1956), Rock, Rock, Rock (1956) seriam os seguintes nessa invasão americana que traria a um país isolado do mundo música actual, feita por e para jovens. Nas imagens à qual o rock ‘n’ roll servia de banda-sonora, viam-se danças, penteados, roupas, expressões, comportamentos que logo se começa a imitar, experimentando o que se tinha ao alcance. Assim, tal como o que se via no ecrã, jovens começam a tocar viola, imitam os penteados, improvisam roupas, e recorrendo a jukeboxes, colocadas em bares e colectividades, ouve e dançam os novos ritmos vindo da América. No final da década de 50 existia então, e finalmente, rock ‘n’ roll em Portugal.

É precisamente nesta altura que são feitas as primeiras gravações. Dividido em duas vertentes, por um lado assiste-se à adaptação do rock 'n' roll como um novo ritmo, inserido numa vertente mais jazzística, executada por orquestras de casino e conjuntos do Parque Mayer - é dentro deste registo que Shegundo Galarza e seu Conjunto grava Rock 'n' Roll (Ritmo com Teclas)” e Conjunto Jorge MachadoRock 'n' Roll Rag, ambos para a Discos Estoril -; por outro surgem aqueles que absorvem a música como parte de uma cultura, que a vivem como forma de afirmação e tomada de posição. É o caso de Joaquim Costa e os Rapazes da Estrela, que assinam a primeira gravação de rock ‘n’ roll feita em Portugal, datada de 1959, ainda que apenas em acetato e sem edição comercial; de Alfredo Laranjinha, que também grava um acetato nesse final de década, acompanhado por Luís Waddington do recém-formado Conjunto Nova Onda; e da Zurita de Oliveira que grava, esta sim, comercialmente, O Bonitão do Rock, uma música de contornos rock ‘n’ roll que tem a particularidade de ser da sua própria autoria. No entanto, passa despercebida. O seu terreno era outro, o fado...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 8

Conscientes da emergente cultura juvenil, lentamente os espaços outrora devotados a géneros de espectáculos – cinemas e teatros - abriram a sua programação a novos eventos, como os concertos e concursos de música pop-rock. Por detrás disto estavam personalidades como Vasco Morgado ou Arlindo Conde e, mais tarde, entidades como o Movimento Nacional Feminino.

Mas as bandas neste princípio de década ainda eram poucas, de curta duração e sediadas sobretudo em Lisboa, Porto e Coimbra. O serviço militar iminente, ou obrigações profissionais ou familiares, impediam qualquer possibilidade de carreira ou até mesmo de tocar fora do país. Foi o caso dos Conchas, que tiveram convites para tocar no Brasil, Alemanha e França.

Tinham, por isso, os grupos de se contentar com os espectáculos organizados pelo "Passatempo para Jovens", ou rezarem para terem a sorte de irem à televisão ou serem contratados por algum hotel para banda residente. Ainda assim, em 1961, Zeca do Rock conseguiu gravar o seu único EP em nome próprio, editado pela Rádio Triunfo, e Fernando Conde, o Conjunto Nova Onda e o Quinteto Académico começavam a dar os seus primeiros passos.

Sendo na sua maioria estudantes ou trabalhadores em princípio de carreira, a música era vivida como apenas mais uma aventura ou hobby. Entretanto, nas revistas começavam a aparecer nomes como Tarzan Taborda, Madalena Iglésias e Florbela Queiroz, a dita "Brigitte Bardot portuguesa" que se tornariam idolos de uma geração.