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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os Anos Yé-Yé (1965-1966): Parte 1



Se 1964 foi um ano de transição, 1965 e 1966 são anos de confirmação de uma nova cena musical. Agrupando os mais variados conjuntos e estilos musicais sob uma única designação, yé-yé, esta rapidamente estabeleceu-se como uma moda que abrange os mais diversos registos, desde a roupa ao cinema. Para acompanhar as novas tendências, por todo o Portugal foram organizados cada vez mais concursos e festivais, apesar da mentalidade portuguesa de feiras e arraiais. Assim, a 10 de Abril de 1965 realizou-se o 1º Grande Festival de Shake Rock 'n' Roll no Cinema Águia d'Ouro, no Porto e a 28 de Agosto ocorreu a primeira eliminatória do Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental, que se prolongaria até 1966.

Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental

Organizado pelo Movimento Nacional Feminino, em conjunto com a R.T.P., Emissora Nacional, Rádio Clube Português, com o jornal O Século e com o empresário Vasco Morgado, o Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental consistiu na apresentação semanal de cinco conjuntos perante um júri técnico e um júri yé-yé e tinha com um dos principais objectivos o de angariar fundos as tropas no Ultramar.




Na primeira eliminatória participaram os Átomos, que seriam os vencedores, Os Dakotas, de Almada, os The Magic Strings de Oeiras, Os Martinis de Elvas e Jovens do Ritmo de Leiria. Na segunda Os Demónios Negros, do Funchal, os Twist Star da Póvoa de Santa Iria, Os Fliers de Cascais, os Primavera em Sintra e Os Kalifas de Torres Novas. Tornando-se um evento cada vez mais popular, na 3ª eliminatória participaram os Diamantes Negros, de Sintra, que saíram vencedores numa noite em que se “lançou, sobre os concorrentes, milho, feijão, batatas e tomates." Nesta tocaram ainda os G-Men, do Entroncamento (futuros Filarmónica Fraude), Os Misters de Lisboa, os Black Boys de Santarém e Os Gringos de Torres Vedras.

sábado, 2 de abril de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 16

Não foi só Portugal Continental que não ficou imune à "invasão britânica". Na realidade, ela chegou a todo o seu "império" de ilhas, colónias e ex-colónias. Na Madeira, João Firmino Caldeira, um empresário local, organizou com patrocínio do jornal Madeira Popular, um concurso para promover as bandas locais que se iam formando. O prémio seria uma ida ao continente. Participaram o Conjunto João Paulo, que ficou em primeiro lugar, Os Demónios Negros, que também deixaram o Funchal pouco depois, Os Incríveis, que foram para o continente dar concertos em casinos e hotéis, Os Dinâmicos, Celso e os Atómicos e Alberto Freitas e o seu Conjunto.

Em Angola, o Cinema Restauração organizou e deu a conhecer bandas como os Rocks de Eduardo Nascimento, vencedores neste concurso da taça Angola Films, os Herbert et les Jeunes, Joe Mendes e os Electrónicos e Os Incógnitos, entre outros. Em Moçambique surgiram os Night Stars, Os Rebeldes e Os Inflexos.

Foi também neste ano de 1964 organizado o 2º Festival Musical de Macau, a qual assistiram cerca de 2.500 espectadores. Território ocupado por portugueses desde o século XVI, devido à sua localização geográfica foi, desde sempre mas principalmente, nesta altura, um ponto de cruzamento de culturas e influências, que vinham de Hong Kong, Londres, Paris, Estados Unidos e Austrália, devendo mais a estas do que a Portugal.