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segunda-feira, 13 de junho de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 28

Por esta altura, finalmente, já não se ouvia apenas os Beatles e os Shadows. Graças a antenas artesanais que captavam as rádios piratas, como a Radio Caroline, Radio England ou Radio London, que eram emitidas a partir de barcos ou plataformas abandonadas[1], podia-se ouvir as novidades que iam desde o folk ao soul passando pelo psicadelismo. Foi neste ano que surgiram Os Dolmens, da Madeira, os Xelbe 65, do Algarve, The Sheers, de Bragança, Os Lunicks, do Minho, Os Jactos, do Porto, Os Infernais, de Faro.

Mas também três das mais marcantes bandas portuguesas: os Chinchilas, que contavam na sua formação com Filipe Mendes, o Conjunto Universitário Hi-Fi, de Coimbra, que habilmente se movia dentro da estética psicadélica da costa oeste americana, e os Pop Five Music Incorporated, do Porto.

Em Lisboa, os Jets, três anos após a sua formação gravaram um EP para a editora Tecla. Com uma capa única em Portugal, de grafismo pop psicadélico, a música acompanhava-a. O seu equipamento, também único para a altura, consistia numa aparelhagem Vox, órgão de dois teclados e uma Gibson vermelha, entre muito outro material avaliado em milhares de contos. Tocavam a "15 mil escudos por actuação, ao câmbio da época, fora a dormida, alimentação e casa, durante as loucas - porque sexuais - digressões estivais (...) , meridionais coloridas e extravagantes com inglesas em desaforos sensoriais. (...) Liz e Frankie, as duas mentoras sexuais dos Jets, em 1965 (Lota, Lagos), 1966 (Ferragudo, «A Chaminé») e 1967 (Albufeira, «MCM») e introdutoras de afrodisíacos «spanish fly» (cantáridas) na vivência criativa musical e erótica", como descreveu o seu baterista João Alves da Costa. No ano seguinte, devido à incorporação militar o grupo desfez-se...



[1] http://www.offshoreradio.co.uk/

terça-feira, 12 de abril de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 18

Por melhores condições de vida e, a partir desta altura, sobretudo por causa da guerra colonial, cada vez mais jovens emigraram de Portugal, "a salto" se necessário. Outros começavam a voltar das colónias, já homens, despedaçados ou mortos.

Em 1965, um ano depois de ter formado a Frente Portuguesa de Libertação Nacional, Humberto Delgado foi assassinado numa cilada na fronteira entre Portugal e Espanha. Nesse mesmo ano foram presos os principais activistas das associações académicas, e em Outubro publicado o Manifesto dos 101 Católicos, contra a cumplicidade entre o Estado e a Igreja Católica e a política colonial, assinado por Sophia de Mello Breyner Andresen, Francisco Sousa Tavares, João Bénard da Costa e Nuno Teotónio Pereira, entre outros.


1965 foi também o ano da mini-saia e das meias de vidro, do estilo Saint Tropez de Brigitte Bardot e Sylvie Vartan e de Carnaby Street. Em Portugal, havia a Porfírios, os cigarros Kart e carros como Austin Mini, Spring 850 ou o Renault R8.

Apesar do sonho de aparecerem na televisão, que neste ano emitiu uma edição especial do programa Ritmos
, como esta mostrava pouco ou nada do que a camada mais jovem queria ver, foi a rádio que ganhou cada vez mais força. Deu-se uma "invasão de pequenos receptores e transístores para ouvirem música" e programas como "23ª Hora" e, mais tarde, o "Em Órbita" e o "A Noite é Nossa" dedicavam o seu espaço a novidades musicais. Também fora de Portugal a Rádio Dakar, a Emissora Provincial da Guiné e a Rádio Clube de Cabo Verde abriam espaços para os mais jovens.



segunda-feira, 28 de março de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 15

Apesar de tudo, para a maioria dos portugueses a música continuava a ser o fado e o nacional-cançonetismo. 1964 foi o ano da primeira participação de Portugal no Concurso Eurovisão da Canção, representado por António Calvário. Mas, por mais mérito que esse tivesse, a Plateia continuava a receber cartas acerca de que a rádio e a televisão não mostravam o twist , nem passavam música de feita fora de Lisboa. "Dança macabra" ou "diabólica"[1], como lhe chamaram alguns jornais, continuava mal vista, quando não era proibida.

Mas foi também nessas revistas que as bandas começaram a encontrar um espaço e os fans um forma de comunicar com os seus ídolos. Notícias, entrevistas, cartas abertas, fotografias, os discos da semana e letras de músicas começaram a tornar-se regulares nas páginas de revistas como a referida Plateia, Rádio & Televisão, Álbum da Canção, etc.

Os concursos de votação nos melhores cantores e grupos, como o "Microfone de Ouro", possibilitavam uma interacção que era complementada pelos clubes de fans. Admiradores começaram a coleccionar livros de autógrafos a que os artistas tinham dever de assinar, tal como tinham o de responder a cartas, telefonemas e enviar fotografias.

Programas de rádio como "Ouvindo as Estrelas", "Enquanto for Bom Dia" e o "Ritmo 64", complementavam tudo isto. No cinema, "Pão, Amor e Totobola" (1963), de Henrique Campos, contava com a presença de Zeca do Rock, e em "A Canção da Saudade" (1964), também de Henrique Campos, participou Victor Gomes com os seus Gatos Negros. Em 1965, o Conjunto João Paulo entra no filme "Férias em Portugal" e o Quinteto Académico no "Domingo à Tarde", de António de Macedo


[1] Diário Popular de 12.1.1964

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 3

Lenta e timidamente, começaram então a surgir os primeiros rockers, rockabillies e teddy-boys em Portugal. Imitando os comportamentos americanos, as maneiras de vestir e de pentear, cedo começaram também a imitar a música e a fazer conjuntos. Os Conchas, Daniel Bacelar, Joaquim Costa e os seus Rapazes da Estrela, Os Babies, Zé Manel Silva também conhecido como Baby Rock, Conjunto Pedro Osório, Armindo Rock, Tigres do Calipso, foram alguns dos nomes que nesta segunda metade da década de 50 fizeram um país ouvir o que se passava lá fora e que a rádio e as revistas não queriam mostrar. Tocando e cantando em associações e colectividades e jardins públicos – da Estrela, do Campo Grande e do Estoril -, apesar de raramente serem levados a sério, ainda assim alguns conseguiram tocar em alguns programas de variedades na rádio, como o "Ouvindo as Estrelas" ou "Visitas de Domingo".

Mas da parte de editoras discográficas não houve qualquer investimento e os registos discográficos desta época são escassos, aventuras ou investimentos de uns poucos. Assim, da década de 50, hoje restam apenas um acetato de Alfredo Laranjinha e um de Joaquim Costa. Datado de Agosto de 1959, é este último tido como o primeiro registo fonográfico de Rock ‘n’ Roll existente em Portugal[1]. As duas músicas, Tutti Frutti e Rip It Up, versões de dois dos maiores êxitos americanos da altura, demonstravam simultaneamente a apetência de alguns pelo novo e diferente, bem como o que se fazia ouvir por cá: Bill Haley, Elvis Presley, Little Richard, Gene Vincent e Chuck Berry.



[1] Reeditado pela Groovie Records / Meteorito, Lisboa, 2007, GRO 006/MD 001. Para mais informações sobre Joaquim Costa ver o insert que acompanha o disco.