Em 1959, Joaquim Costa grava um acetato com duas versões de músicas de Rock 'n' Roll então em voga: "Rip It Up" e "Tutti Frutti". Em 1959 a Groovie Records edita-as, finalmente, em vinil numa edição onde se ouvem também umas gravações de Joaquim Costa feitas em 1978.
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segunda-feira, 5 de junho de 2017
domingo, 4 de junho de 2017
domingo, 20 de janeiro de 2013
Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte II
Joaquim Costa e os Rapazes da Estrela
Nascido em Lisboa, Joaquim
Costa (1935-2008) começa a cantar em 1955, pouco depois de ter
descoberto o rock 'n' roll. Primeiro entre amigos, no liceu e em
colectividades, e nunca se levando muito a sério, só em 1959 é que Joaquim Costa decide formar um grupo
para o acompanhar. Com o nome Os Rapazes da Estrela, deste fizeram parte Sérgio Pinto, Arménio Bajouca, Luís Gomes e Guilherme Silveira e tornaram-se imediatamente uma das
bandas residentes da feira popular do Jardim da Estrela. Descritos nos folhetos publicitários como os
"Reis do Rock' n' Roll" tocavam todas as noites cerca de três horas de
versões do que ouviam nas jukeboxes na
altura - Elvis Presley, Bill Haley, Carl Perkins e Chuck Berry - assim como alguns
improvisos, as suas actuações são então memoráveis. Nas palavras do vocalista "o Guilherme era
como o Bill Black com o Elvis, era a mesma coisa, saltava e atirava-se para o
chão. E eu quando canto, não vejo ninguém. Atirava-me ao chão de joelhos. Ficava eufórico”.
É como registo desse verão de ’59 que Joaquim Costa decide gravar o hoje
mítico acetato com aquele que é tido como o primeiro registo sonoro de rock
'n' roll feito em Portugal. Com duas faixas, Rip It Up e Tutti Frutti,
estas consistiam em duas das versões que costumavam tocar nessas noites na
Feira da Estrela. Gravadas numa rádio local, Rádio Graça, com um som rudimentar
e primitivo, este acetato não deu origem a uma edição comercial na altura e
teve de esperar quase cinquenta anos para ser editado pela Groovie Records.
Mas Joaquim Costa decide nesse
mesmo Verão abandonar o conjunto por motivos pessoais, rejeitando as fãs e um
convite para ir para os Estados Unidos. No entanto, a sua paixão pelo rock
'n' roll fez com que poucos anos mais tarde, em 1963, voltasse a cantar num
projecto de nome Os Jotas do Rock
juntamente com o seu amigo José Gouveia, guitarrista d’Os Tigres do Calipso. No ano seguinte Joaquim Costa volta a tocar em nome próprio mas quando surgem alguns
problemas técnicos da qual resulta um uníssono "velhote! velhote! velhote!
" da parte da audiência, decide retirar-se. "O rock ‘n’ roll, para [si], acabou nesse dia, 7 de Marco de 1964”,
diz em entrevista, retrospectivamente. De qualquer forma, por essa altura, já se
estava em anos de twist e de yé-yé…
No entanto, no final da década
de 70, Joaquim Costa começa a sair com os punks que conhecia na Feira
da Ladra e voltou a tocar ao vivo, desta vez em casas ocupadas onde,
segundo o próprio, "eram gajos e gajas a dormir no chão, comunas e drogas pesadas…Mas fizemos
ali rock 'n' roll...". Em 1982 torna-se colaborador do programa de rádio Pedras Rolantes e
em 2007, por ocasião do lançamento da reedição do seu acetato volta a tocar ao
vivo, no Cabaret Maxime, em Lisboa. Joaquim Costa, conhecido como "o Elvis
de Campolide", falece a 15
de Fevereiro de 2008, cumprindo a sua promessa de acompanhar "o rockabilly até morrer".
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte I
Introdução
É logo em 1955, com a estreia de Sementes de Violência (Blackboard Jungle, 1955)
de Richard Brooks, que se ouve, pela primeira vez, rock ‘n’ roll em Portugal. O
Ritmo do Século (Rock Around The Clock, 1956), Uma
Rapariga com Sorte (The Girl Can't Help It, 1956),
Rock,
Rock, Rock (1956) seriam os seguintes nessa
invasão americana que traria a um país isolado do mundo música actual, feita
por e para jovens. Nas imagens à
qual o rock ‘n’ roll servia de
banda-sonora, viam-se danças, penteados, roupas, expressões, comportamentos que
logo se começa a imitar, experimentando o que se tinha ao alcance. Assim, tal como o que se via no ecrã, jovens começam a tocar viola, imitam os penteados, improvisam roupas, e recorrendo a jukeboxes, colocadas em bares e
colectividades, ouve e dançam os novos ritmos vindo da América. No final da
década de 50 existia então, e finalmente, rock
‘n’ roll em Portugal.
É precisamente
nesta altura que são feitas as primeiras gravações. Dividido em duas vertentes, por um lado assiste-se à adaptação do rock 'n' roll como um novo ritmo, inserido numa vertente mais jazzística, executada por orquestras de
casino e conjuntos do Parque Mayer - é dentro deste registo que Shegundo Galarza e seu Conjunto grava “Rock 'n'
Roll (Ritmo com Teclas)” e Conjunto
Jorge Machado “Rock 'n' Roll Rag”, ambos para a Discos Estoril -; por outro surgem aqueles que absorvem a música
como parte de uma cultura, que a vivem como forma de afirmação e tomada de
posição. É o caso de Joaquim Costa e os
Rapazes da Estrela, que assinam a primeira gravação de rock ‘n’ roll feita em Portugal, datada de 1959, ainda que apenas
em acetato e sem edição comercial; de Alfredo
Laranjinha, que também grava um
acetato nesse final de década, acompanhado por Luís Waddington do recém-formado Conjunto Nova Onda; e da Zurita
de Oliveira que grava, esta sim, comercialmente, O Bonitão do Rock, uma música de contornos rock ‘n’ roll que tem a particularidade de ser da sua própria autoria.
No entanto, passa despercebida. O seu terreno era outro, o fado...
sábado, 4 de fevereiro de 2012
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