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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Fausto "África"

Também Fausto cantou sobre África. Oriundo de Angola, onde nasceu, cresceu e onde teve os seus primeiros grupos, Os Rebeldes e os Zorbas, veio estudar para Lisboa no fim da década de 60. É nessa altura, em 1969 para ser preciso, que grava o seu primeiro disco, um EP com quatro faixas. No ano seguinte grava um LP, com músicos da Filarmónica Fraude a acompanhá-lo, que apenas é editado na Holanda provavelmente por causa de problemas com a censura.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 8



Também em 1964, em Angola, é organizado um concurso, o 1º Festival de Música Moderna, no Cine-Teatro Restauração, que dá a conhecer bandas como Os Rocks, os Herbert et les Jeunes, Joe Mendes e os Electrónicos, Os Incógnitos, entre outros.


Os Rocks, conjunto formado por Eduardo Nascimento na voz, Fernando e Luís Saraiva nas guitarras, Elmer Pessoa e mais tarde Filipe de Andrade no baixo e João Cláudio Saraiva na bateria, tiveram a sua grande oportunidade quando em 1962 Vasco Morgado vai a Angola, ouve-os e decide levá-los para Lisboa para alguns concertos. Já com algum nome voltam à capital por ocasião do Grande Concurso Yé-Yé do Monumental, ficando num polémico segundo lugar que, apesar de tudo, lhes proporciona um contrato como conjunto residente da boîte Porão da Nau, em Lisboa, e a gravação do primeiro EP.

Entretanto assinam um contrato de dois meses com a boîte La Bonanza em Roterdão, assim como com a televisão holandesa. Reconhecido pela sua voz, em 1967 surge a oportunidade de Eduardo Nascimento participar no Grande Prémio TV da Canção Portuguesa e vence com O Vento Mudou, tornando-se um êxito, com perto de 6000 cópias vendidas. Os Rocks ficam por isso em Portugal Continental, cumprindo um contrato com o Casino Estoril, até que, em 1969, põem termo ao conjunto. 

Numa entrevista à Plateia, uns meses antes, Eduardo Nascimento já dava conta do seu desânimo com a falta de compositores, de orquestras formadas e de directores artísticos, assim como da "calma" das editoras que não distribuíam composições dos seus artistas. A falta de espectáculos de music-hall, a repetição dos mesmos artistas e canções e a falta de coragem dos investidores em algo novo, foram outras das razões pelas quais, após 4 anos e meio na capital, Eduardo Nascimento decidir voltar para Luanda. Aí completa os estudos de Engenharia enquanto alguns dos restantes membros dos Rocks são obrigados a ir cumprir o serviço militar.


 Além dos Rocks, e dos já referidos conjuntos, há registos de outros grupos angolanos como os Kriptons que chegam a gravar um EP em 1965, Os Jactos de Luanda e Os Rebeldes.

sábado, 30 de abril de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 23

A organização de espectáculos pelo Movimento Nacional Feminino também se estendeu às colónias portuguesas. Em 1964 foi organizado o já referido 2º Festival Musical de Macau, onde participaram os vitoriosos Grey Coats e os Colourful Diamonds, entre outros.

Em 1965 abriram as inscrições para o 1º Concurso de Ritmos Modernos da Guiné Portuguesa e organizou-se o Festival da cidade da Beira, Moçambique, ao qual assistiram 7.000 pessoas e participaram Os Apaches, Os Rebeldes, Mirabaía, Mistério, Os Piratas, Os Falcões, Silhuetas e Os Vikings.

Os festivais continuaram a acontecer pelo resto da década. Desde o 1º Festival de Música Yé-Yé de Coimbra, em Abril de 1966, ao Grande Festival Yé-Yé de Luanda, que contou com os Five Kings, Brucutus e Gansos Selvagens, entre muitos outros, passando pelo 1º Festival Musical do Porto, organizado por Mário Tomás, em Outubro de 1966 onde participaram Os Teias, Os Flinstones, Os Jactos, Os Nautilus, Os Zodíacos, Os Exodus, Os Raios Negros, o Conjunto Feminino As Cinco Estrelas, etc., o Festival de Ritmos Modernos dos Açores, o 1º Concurso Académico de Música Moderna no Cinema Império em Junho de 1968, o 1º Festival de Conjuntos Ligeiros Amadores do Minho, realizado em Guimarães em 1969, o Festival de Inverno, no Coliseu, entre outros...

sábado, 2 de abril de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 16

Não foi só Portugal Continental que não ficou imune à "invasão britânica". Na realidade, ela chegou a todo o seu "império" de ilhas, colónias e ex-colónias. Na Madeira, João Firmino Caldeira, um empresário local, organizou com patrocínio do jornal Madeira Popular, um concurso para promover as bandas locais que se iam formando. O prémio seria uma ida ao continente. Participaram o Conjunto João Paulo, que ficou em primeiro lugar, Os Demónios Negros, que também deixaram o Funchal pouco depois, Os Incríveis, que foram para o continente dar concertos em casinos e hotéis, Os Dinâmicos, Celso e os Atómicos e Alberto Freitas e o seu Conjunto.

Em Angola, o Cinema Restauração organizou e deu a conhecer bandas como os Rocks de Eduardo Nascimento, vencedores neste concurso da taça Angola Films, os Herbert et les Jeunes, Joe Mendes e os Electrónicos e Os Incógnitos, entre outros. Em Moçambique surgiram os Night Stars, Os Rebeldes e Os Inflexos.

Foi também neste ano de 1964 organizado o 2º Festival Musical de Macau, a qual assistiram cerca de 2.500 espectadores. Território ocupado por portugueses desde o século XVI, devido à sua localização geográfica foi, desde sempre mas principalmente, nesta altura, um ponto de cruzamento de culturas e influências, que vinham de Hong Kong, Londres, Paris, Estados Unidos e Austrália, devendo mais a estas do que a Portugal.