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domingo, 9 de fevereiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 9



Em Moçambique, depois de Victor Gomes, só a partir de 1963, sob a influência dos Shadows e com a estreia d’Os Cometas na rádio, é que começam a surgir novos conjuntos como Os Corsários, considerado o "melhor conjunto de Lourenço Marques", os Night Stars, o Conjunto Renato Silva e os portugueses Oliveira Muge instalam-se definitivamente em Moçambique.
 
 Os Night Stars formam-se em 1963 em Lourenço Marques com Bob Woodcook na voz, Mário Sousa na guitarra, Alexandre Rodrigues nas teclas, viola ritmo e vozes, Guita no baixo e Carlos Alberto na bateria tendo estes dois últimos saído pouco depois e entrado Noel Cardoso para o baixo e Dino Antunes para a bateria. É com esta formação que em 1964 gravam o primeiro EP, um disco com forte influência de rock 'n' roll e surf. Em 1965 gravam o segundo EP e são os escolhidos para ir ao Concurso Yé-Yé do Monumental de 1966 onde ficam num polémico 3º lugar. Gravam nesse mesmo ano o terceiro disco, que contêm Eu Sei, música com a qual ganharam o Prémio Peninsular no referido concurso, além de outras três faixas que demonstram uma maior influência de rhythm&blues ou garage-rock. O grupo acaba poucos anos depois devido ao serviço militar.  
  
(retirado de bigslam.pt)

Embora oriundos de Ovar, e formados ainda na década de 50, o Conjunto Oliveira Muge só começa a fazer carreira em 1962 quando vão para Moçambique, onde passam a actuar regularmente na rádio, televisão e festas. Cantando em inglês, português e italiano em 1964 são considerados pela imprensa “O Melhor Conjunto de Gente Nova”, e em 1965 gravam o primeiro EP. No ano seguinte vão a África do Sul onde gravam o disco com o seu maior êxito, A Mãe. Em 1968, o Conjunto Oliveira Muge regressa a Portugal mas volta para Moçambique onde continuaram a tocar até 1974, altura em que o grupo se separa e retorna a Portugal.


Da Guiné, além de José Manuel Concha, há apenas o registo de Os Lords, os Big Star e de um 1º Concurso de Ritmos Modernos da Guiné Portuguesa, organizado pela Plateia e patrocinado pelo Movimento Nacional Feminino.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Os Verdes Anos (1960-1963): Parte 1



Se a introdução do rock ‘n’ roll em Portugal, como se viu, se deu sob a forma de aventuras efémeras e na integração do ritmo dentro de outros géneros, geralmente associado a danças e sem grande relevo musical, ao longo da década de 60 as músicas feitas por jovens conseguem alcançar outro estatuto. Nas rádios e nas revistas, lentamente, começam a abrir-se espaços e pelo país fora constroem-se circuitos de actuação ao vivo. Surgem sonhos e ideias e até possibilidades de carreira no meio musical, até onde o serviço militar permitia...Forma-se assim uma cultura juvenil que, até então, parecia não existir.

Em termos musicais a década de 60 abre com a primeira edição comercial de rock ’n’ roll em português: um disco, de sete polegadas, repartido entre Daniel Bacelar e Os Conchas, prémio do empate no concurso da Rádio Renascença, Os Caloiros da Canção.

(retirado de underrreview.blogspot.com)
Primeiro grande fenómeno de popularidade juvenil, Os Conchas formam-se ainda no final da década de 50. Constituídos por José Manuel Concha e Fernando Gaspar, este duo lisboeta fortemente influenciado pela música norte-americana que chegava então a Portugal, foi imediatamente apelidados de "Everly Brothers portugueses”. Conseguindo, como prémio do concurso, além da gravação do disco, uma aparição na televisão portuguesa, Os Conchas tornam-se rapidamente famosos, dando concertos regulares e editando um total de seis EP’s. Uma carreira bem sucedida mas, infelizmente, curta.


(retirado de guedelhudos.blogspot.com)
 O início da guerra colonial faz com que, em 1962, Fernando Gaspar seja mobilizado para Moçambique e José Manuel Concha para a Guiné Portuguesa pondo fim ao conjunto. Apesar de tudo, em terreno de guerra, José Manuel Concha forma um novo grupo sendo imediatamente convidado para uma série de concertos para militares das Forças Armadas. Além disso, este ajuda a organizar concursos, incentivando a formação de conjuntos naquela então colónia portuguesa. 

Cerca de um ano depois volta a Portugal, prosseguindo com uma carreira a solo, lançando, em 1964, um disco acompanhado pelo Conjunto Os Conchas, cujos membros vinham dos Gatos Negros que costumavam acompanhar Victor Gomes. Posteriormente forma os Inéditos e nas décadas seguintes, já a solo e dentro de outro registo musical, atravessa a Europa e os Estados Unidos. Sediando-se em Paris somente no final dos anos 90 regressa a Portugal onde, ainda hoje, continua com a sua carreira musical.
Fernando Gaspar, de regresso do serviço militar, junta-se ao Conjunto Mistério, com quem grava dois EP’s, prosseguindo depois disso com uma carreira a solo. Viria a falecer em 1998 vítima de diabetes.