sábado, 11 de fevereiro de 2017

"Mundo da Canção" - capa do primeiro número

A capa do primeiro número da "Mundo da Canção", com uma fotografia do então padre Francisco Fanhais, é explícita relativamente à linha editorial da revista. A música de intervenção foi uma constante ao longo dos vários anos de publicação. Foram entrevistados inúmeros desses cantautores e reproduzidas inúmeras letras. Compreende-se que durante anos esse espaço e destaque fosse necessário mas esse programa, no futuro, acabaria por sufocar a revista.


"Mundo da Canção" - editorial do primeiro número.

No final de 1969 surgiria uma nova revista dedicada a música pop, rock e de intervenção, tanto portuguesa como estrangeira. De nome "Mundo da Canção" esta revista do Porto, ao longo de várias anos, nas suas páginas publicar-se-iam tanto notícias como entrevistas, sobretudo a músicos portugueses, assim como artigos de opinião, coisa então rara em Portugal, e letras de músicas. Além disso a equipa da revista, dirigida por Avelino Tavares, organizaria encontros, debates e concertos. Mais tarde teria o seu espaço, a loja MC-Discoteca, editaria alguns livros e até discos. Este foi o editorial do primeiro número.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Victor Gomes (1967)

Em 1967, quatro anos depois de chegar a Portugal e cada vez mais longe das luzes da ribalta, Victor Gomes lá consegue gravar o seu primeiro disco. Intitulado "Juntos Outra Vez", neste EP de quatro faixas Victor Gomes é acompanhado pelos Siderais. Algo, ou muita coisa, tinha corrido mal com os Gatos Negros. Questões de dinheiro, dizem...O disco, musicalmente, não tem grande interesse. Rock 'n' roll já sem a garra que outrora o caracterizou e agora com influências de alguns crooners.

Curiosamente, o disco tem duas edições na altura. Uma portuguesa, na F. F. Discos, e uma espanhola, na Marfer. Anos antes, Victor Gomes teve alguma visibilidade no país vizinho por causa do filme "A Canção da Saudade" (1964) de Henrique Campos, onde contracenou com a actriz espanhola Soledad Miranda. Um filme que também teve duas versões. A espanhola, assinada por José Luís Monter, intitulou-se "Los Gatos Negros", por causa do grupo que então acompanhava Victor Gomes, os Gatos Negros.



Mais interesse que a música de Victor Gomes, tem a sua história de vida. Recomenda-se, por isso, a leitura da biografia autorizada "Victor Gomes - Juntos Outra Vez" (2014) de Ondina Pires.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Quinteto Académico (1967)

Os Quinteto Académico estreiam-se ao vivo a 9 de Setembro de 1961, nas Festas de Mont'Alto em Arganil, mas só no princípio de 1966 é que vêem editado o seu primeiro EP. Com mais de cinco anos de rodagem conseguem assim, logo à partida, demonstrar uma consistência fora do vulgar. No ano seguinte editam um segundo EP Reach Out I'll Be There que esgota em três dias. Constituídos, nesse ano de 1967, por Carlos Soeiro de Carvalho na guitarra, Adrien Marcel Ransy na bateria, José Manuel Fonseca no saxofone, clarinete e flauta, Jean Sarbib no baixo, Pedro Osório no orgão, piano e flauta e Mário Jesus no trompete, este conjunto de pop / rock com fortes influências da soul, rhythm & blues e jazz seria um dos mais prolíferos dessa segunda metade da década, gravando não só inúmeros discos como bandas-sonoras para filmes.

 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

The Kinks na imprensa portuguesa (1970)

Na década de 60 importaram-se bastantes discos dos The Kinks, sobretudo de França mas poucos foram editados cá. A saber, os singles ou EP's: "Days", "Wonderboy", "Drivin'", "Are The Village Green Preservation Society", "Shangri La" e "Lola". A imprensa também pouco ou nada lhes ligou. Seguem-se uns recortes da Mundo da Canção, n.º 3, de Fevereiro de 1970.


Um parágrafo. E uma letra:




Victor Gomes e os Gatos Negros (1967)


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Serge Gainsbourg e Jane Birkin na imprensa portuguesa

Embora se diga que "Je t'aime..Moi, non Plus" de Serge Gainsbourg e Jane Birkin tenha sido proibida em Portugal esta foi divulgada pelo menos numa publicação. A "Mundo da Canção" em Janeiro de 1970 publicou a letra.


E, além disso, deu conta do seu êxito. É provável que a canção tenha sido proibida de passar na rádio mas, pelos vistos, esteve à venda nas discotecas. E ouviu-se.



O disco teve, inclusivamente, uma edição portuguesa, pela Arnaldo Trindade & Ca. 



(Capa e contracapa retiradas do discogs.com)

"Je T'aime...Moi, non plus", versão de Barry Adamson:


Raul Indwipo / Duo Ouro Negro (1966)


sábado, 28 de janeiro de 2017

"Tropicália em Portugal" (Excertos)

Em Dezembro de 1969, no primeiro número da revista "Mundo da Canção" é publicado um mísero parágrafo sobre a partida de Gilberto Gil para Londres, sem fazer qualquer menção à sua condição de exilado. Sem perder tempo com explicações, acompanham a notícia com a letra de "Aquele Abraço". Como se a sua partida para a Europa tivesse sido motivos artísticos.


"Aquele Abraço" faria parte do LP editado nesse ano de 1969 no Brasil. E ainda do LP pirata "Barra 69 - Caetano e Gil ao Vivo na Bahia", editado em 1972. Este consiste  numa gravação de dois concertos ao vivo da dupla Caetano Veloso / Gilberto no Teatro Castro Alves, na Bahia, nesse mesmo ano, pouco antes da partida dos dois para Inglaterra.


Esta música também seria editada, pouco depois, em Portugal. Por onde, de resto, Gilberto Gil passou antes de se exilar em Londres.

Bob Dylan, Nancy Sinatra, Françoise Hardy (1966)