quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte V
Tal
como este e também do Porto, Walter
Behrend e o seu Conjunto faz aproximações ao rock ‘n’ roll como mais um ritmo; de forma semelhante, Toni Hernandez e o seu Conjunto, grava um
ritmado Baby Rock; o Conjunto de Jaime João toca o bizarro I Go Ape; e outros como o Conjunto Ligeiro Académico, dão provas que
o rock ‘n’ roll chegou, de facto, a este
pobre país. No fundo, vivia-se, como descreve Daniel Bacelar, num "ambiente fechadíssimo a
qualquer coisa de diferente que aparecesse na altura e que pudesse pôr as
pessoas a pensar e vir a descobrir que havia um outro mundo lá fora”. Talvez
por isso não passasse tudo de “rockerzinhos
de bairro a imitar os americanos para engatar as miúdas lá no bar”, como
sintetiza José Cid…
Fora
de Portugal continental, ainda neste final de década há ainda dois registos a
assinalar. Em Moçambique, Victor Gomes inicia a sua carreira, acompanhado pelos Dardos, sendo logo eleito o Rei do Rock, e
nos Estados Unidos um
"rockabilly cult cat",
ainda hoje obscuro, de nome Joe S. Alves grava dois singles em 1957, sob o nome de Portuguese Joe.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte IV
Babies
Igualmente na década de 50 surgem,
em Coimbra, Os Babies, um conjunto que também toca rock ‘n’ roll. Formado por José Cid no rabecão, piano e voz, António Portela no piano e acordeão, António Igrejas Bastos na bateria e voz, e Carlos Nazaré na guitarra, o conjunto dura cerca de três anos mas não ficam registos a não ser fotográficos. Desfeito
o grupo José Cid prossegue a sua carreira formando, em 1959, o Conjunto Orfeão de Coimbra juntamente com Daniel
Proença de Carvalho, José Niza e Rui Ressurreição. Estes persistem durante
algum tempo até que José Cid decide ir viver para Lisboa e juntar-se ao Conjunto Mistério. Rui Ressurreição também
continuaria no mundo da música, fazendo posteriormente parte do Clube de Jazz do Orfeão Académico e mais
tarde do Conjunto Hi-Fi e dos Álamos.
Pedro Osório
Com a maioria da imprensa
centrada em Lisboa, a cobertura em termos musicais em relação ao Porto é quase
inexistente. Das poucas referências existentes é a de Pedro Osório (1939-2012) que
a partir de 1957 começa a fazer aparições públicas nas rádios e televisão. Em
1960 grava com o seu conjunto, formado por Francisco Ferreira da Silva, Pedro Nuno e José
Couceiro, o EP Namorico da Rita.
Um disco de quatro músicas de música ligeira com alguns contornos rock "civilizado". Nesse mesmo
ano edita mais três discos, sempre com músicas mais ligeiras do que
propriamente rock, e cantadas em
português, inglês, francês e italiano, conforme ditavam as leis do mercado. No
ano seguinte voltam a gravar mais um disco e só em 1967 é que Pedro Osório volta
a estúdio em nome próprio. Nas décadas seguintes este tem uma prolífera
carreira musical, fazendo parte dos Quinteto
Académico e acompanhando ou fazendo arranjos musicais a Paulo de Carvalho, Luís Cília, Sérgio Godinho,
José Almada, entre outros.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte III
Zeca do Rock
É também nesse final dos anos 50, que José das Doures
começa a aprender a tocar guitarra. Estreando-se em 1959 no
programa Bom Dia de José Oliveira Cosme é lá que
recebe a alcunha pela qual hoje é conhecido, Zeca do Rock.
Influenciado pelo rock 'n' roll norte-americano de então, canta em
inglês e em português e opta ao contrário de outros, por fazer as suas próprias
músicas. É dessa altura que data Nazaré Rock, que viria a ser gravada
para o seu primeiro disco. Editado em 1961 este acabaria por ficar conhecido
não pela referida música mas por outra, Sansão foi Enganado, música hoje
recorrentemente referida por ser aquela em que ficou registado o primeiro yeah! gravado em Portugal…
Embora, julgando pelo conteúdo do disco, tudo aparente
ser inocente ou convencional o seu percurso musical não o foi. Considerado
"aos olhos do governo fascista” como “um opositor declarado, uma figura
perigosa, incómoda, rebelde, capaz de liderar a juventude, o que representava um
perigo para o sistema", conforme conta em entrevista a João Aldeia para o
site vilardemouros1971, Zeca do Rock viu-se então remetido para
as emissoras privadas e, nunca mais podendo gravar, teve de se cingir ao
circuito das actuações ao vivo.
Apesar de tudo a sua carreira como Zeca do Rock durou sete anos e além do referido disco ficou também
registado no filme de Henrique de Campos Pão, Amor e Totobola (1964), onde faz de líder de gang de rockers e canta Twist para
Dois. No entanto, apesar de dizer que deixa a música, o seu nome reaparece
em 1970, quando Sérgio Borges e o
Conjunto Académico de João Paulo adaptam a sua composição Aguarela
Portuguesa sob o nome O Lavrador e, em 1972, quando os mesmos gravam
God of Negroes. Escrita aquando da sua estadia na Guiné, onde Zeca do
Rock chegou a ter um conjunto, esta é, nas suas palavras, «uma balada pungente,
verdadeiro “negro espiritual”, como apelo derradeiro para a salvação de um povo
inocente e infeliz, a quem mais ninguém parecia poder socorrer». Pertinente para
os tempos que então corriam…
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domingo, 20 de janeiro de 2013
Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte II
Joaquim Costa e os Rapazes da Estrela
Nascido em Lisboa, Joaquim
Costa (1935-2008) começa a cantar em 1955, pouco depois de ter
descoberto o rock 'n' roll. Primeiro entre amigos, no liceu e em
colectividades, e nunca se levando muito a sério, só em 1959 é que Joaquim Costa decide formar um grupo
para o acompanhar. Com o nome Os Rapazes da Estrela, deste fizeram parte Sérgio Pinto, Arménio Bajouca, Luís Gomes e Guilherme Silveira e tornaram-se imediatamente uma das
bandas residentes da feira popular do Jardim da Estrela. Descritos nos folhetos publicitários como os
"Reis do Rock' n' Roll" tocavam todas as noites cerca de três horas de
versões do que ouviam nas jukeboxes na
altura - Elvis Presley, Bill Haley, Carl Perkins e Chuck Berry - assim como alguns
improvisos, as suas actuações são então memoráveis. Nas palavras do vocalista "o Guilherme era
como o Bill Black com o Elvis, era a mesma coisa, saltava e atirava-se para o
chão. E eu quando canto, não vejo ninguém. Atirava-me ao chão de joelhos. Ficava eufórico”.
É como registo desse verão de ’59 que Joaquim Costa decide gravar o hoje
mítico acetato com aquele que é tido como o primeiro registo sonoro de rock
'n' roll feito em Portugal. Com duas faixas, Rip It Up e Tutti Frutti,
estas consistiam em duas das versões que costumavam tocar nessas noites na
Feira da Estrela. Gravadas numa rádio local, Rádio Graça, com um som rudimentar
e primitivo, este acetato não deu origem a uma edição comercial na altura e
teve de esperar quase cinquenta anos para ser editado pela Groovie Records.
Mas Joaquim Costa decide nesse
mesmo Verão abandonar o conjunto por motivos pessoais, rejeitando as fãs e um
convite para ir para os Estados Unidos. No entanto, a sua paixão pelo rock
'n' roll fez com que poucos anos mais tarde, em 1963, voltasse a cantar num
projecto de nome Os Jotas do Rock
juntamente com o seu amigo José Gouveia, guitarrista d’Os Tigres do Calipso. No ano seguinte Joaquim Costa volta a tocar em nome próprio mas quando surgem alguns
problemas técnicos da qual resulta um uníssono "velhote! velhote! velhote!
" da parte da audiência, decide retirar-se. "O rock ‘n’ roll, para [si], acabou nesse dia, 7 de Marco de 1964”,
diz em entrevista, retrospectivamente. De qualquer forma, por essa altura, já se
estava em anos de twist e de yé-yé…
No entanto, no final da década
de 70, Joaquim Costa começa a sair com os punks que conhecia na Feira
da Ladra e voltou a tocar ao vivo, desta vez em casas ocupadas onde,
segundo o próprio, "eram gajos e gajas a dormir no chão, comunas e drogas pesadas…Mas fizemos
ali rock 'n' roll...". Em 1982 torna-se colaborador do programa de rádio Pedras Rolantes e
em 2007, por ocasião do lançamento da reedição do seu acetato volta a tocar ao
vivo, no Cabaret Maxime, em Lisboa. Joaquim Costa, conhecido como "o Elvis
de Campolide", falece a 15
de Fevereiro de 2008, cumprindo a sua promessa de acompanhar "o rockabilly até morrer".
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Rock 'n' Roll em Portugal (1955-1959): Parte I
Introdução
É logo em 1955, com a estreia de Sementes de Violência (Blackboard Jungle, 1955)
de Richard Brooks, que se ouve, pela primeira vez, rock ‘n’ roll em Portugal. O
Ritmo do Século (Rock Around The Clock, 1956), Uma
Rapariga com Sorte (The Girl Can't Help It, 1956),
Rock,
Rock, Rock (1956) seriam os seguintes nessa
invasão americana que traria a um país isolado do mundo música actual, feita
por e para jovens. Nas imagens à
qual o rock ‘n’ roll servia de
banda-sonora, viam-se danças, penteados, roupas, expressões, comportamentos que
logo se começa a imitar, experimentando o que se tinha ao alcance. Assim, tal como o que se via no ecrã, jovens começam a tocar viola, imitam os penteados, improvisam roupas, e recorrendo a jukeboxes, colocadas em bares e
colectividades, ouve e dançam os novos ritmos vindo da América. No final da
década de 50 existia então, e finalmente, rock
‘n’ roll em Portugal.
É precisamente
nesta altura que são feitas as primeiras gravações. Dividido em duas vertentes, por um lado assiste-se à adaptação do rock 'n' roll como um novo ritmo, inserido numa vertente mais jazzística, executada por orquestras de
casino e conjuntos do Parque Mayer - é dentro deste registo que Shegundo Galarza e seu Conjunto grava “Rock 'n'
Roll (Ritmo com Teclas)” e Conjunto
Jorge Machado “Rock 'n' Roll Rag”, ambos para a Discos Estoril -; por outro surgem aqueles que absorvem a música
como parte de uma cultura, que a vivem como forma de afirmação e tomada de
posição. É o caso de Joaquim Costa e os
Rapazes da Estrela, que assinam a primeira gravação de rock ‘n’ roll feita em Portugal, datada de 1959, ainda que apenas
em acetato e sem edição comercial; de Alfredo
Laranjinha, que também grava um
acetato nesse final de década, acompanhado por Luís Waddington do recém-formado Conjunto Nova Onda; e da Zurita
de Oliveira que grava, esta sim, comercialmente, O Bonitão do Rock, uma música de contornos rock ‘n’ roll que tem a particularidade de ser da sua própria autoria.
No entanto, passa despercebida. O seu terreno era outro, o fado...
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