quarta-feira, 20 de abril de 2011
“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 20
O ano termina com três grandes concertos: The Searchers a 2 e 3 de Novembro no Teatro Monumental, com os Satins, ingleses que mais tarde gravaram um EP com Fernando Conde, e na primeira parte os Dakotas, os Sheiks e os Ekos; os The Animals, também no Teatro Monumental, com primeira parte de Gino Paoli, a 7 de Dezembro.
O Diário de Notícias deixou "um aviso: não tragam os Beatles! Será o fim do Monumental - teatro e cinema - a avaliar pelo delírio que ontem provocaram The Animals. (...)Gritos estridentes, ininterruptos, agudos, lancinantes, um uivo sincopado de yé-yé, definindo quase um sentimento de dor"[1].
Rendido, O Século disse escreveu que "não é possível fazer crítica (musical) ao espectáculo que Vasco Morgado apresentou ontem (com um êxito de bilheteira que esgotou duas salas até ao tecto) no Monumental. Eram The Animals e soberbamente ferozes eles se apresentaram com suas jubas, roncos, esgares, etc. Impossível distinguir a música que tocaram. De ensurdecer. Ainda por cima, a juventude que formava 97 por cento do público, nada deixou ouvir, com a gritaria infernal com que acompanhou a exibição dos seus ídolos. Antes, exibiu-se o grupo do italiano Gino Paoli. É de uma banalidade perfeita. Não aquece nem arrefece. Podia ter ficado em Itália"[2].
A 11 e 12 de Dezembro foi a vez de Cliff Richard com os Shadows no Cinema Império: "Cinco rapazes - normais, sem cabeleiras excessivas, simpáticos, sem exuberâncias de exteriorização, moderados sem crises patéticas de frenesi, mas extraordinários de virtuosismo nos ritmos modernos - apresentaram-se ontem pela primeira vez em Portugal oferecendo ao público jovem de Lisboa, na sala do Império, uma outra face da música ligeira actual. E, pelos vistos agradaram totalmente."[3]
terça-feira, 19 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 19
Cada vez se formavam mais bandas por todo o Portugal, como Os Feras de Elvas, Cometas Negros da Beira Baixa, Os Fífias dos Açores, Os Harlem da Régua, Os Corsários de Viseu, Telfam da Sertã, Os Farras e Os Neutrões de Lisboa, Os Acústicos, Os Yanques, Aquatiks, Os Irresistíveis, Os Flechas, etc... e também cada vez se organizavam mais concursos e festivais, apesar da mentalidade portuguesa das feiras, piqueniques e arraiais.
Foi a 10 de Abril que se realizou o 1º Grande Festival de Shake Rock'n'Roll no Cinema Águia d'Ouro, no Porto, com Armindo Rock, Tony Araújo e o Conjunto Os Galãs. Em Moçambique, 3000 pessoas assistiram à vitória do Conjunto Renato Silva no concurso Yé Yé, no Estádio do Malhanga. A 1 de Agosto deu-se a primeira eliminatória do maior concurso Yé Yé de Portugal, no Teatro Monumental, que se prolongaria até 1966.
Nas colónias a música ganhava cada vez mais consagração e respeito. As bandas locais, como Os Lords, Kriptons ou Corsários de Joe Mendes, tinham oportunidade de tocar nos mais diversos espaços, desde as esplanadas, como a do Café Universal na Guiné, ou a do Cinema Esplanada Miramar ou do N'gola, a bares como a Cave, a Toca ou o Xai-Xai em Moçambique, ou o Rex Club em Angola, e até em montras de lojas.
Também as bandas de Portugal continental tiveram a oportunidade ou obrigação de ir lá tocar, em digressões só para militares. Como tal, Os Tártaros foram convidados a tocar três meses numa boite em Luanda, José Manuel Concha tocou na Guiné, Fernando Concha em Angola e o Conjunto João Paulo foi vinte dias para Moçambique.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 18
Por melhores condições de vida e, a partir desta altura, sobretudo por causa da guerra colonial, cada vez mais jovens emigraram de Portugal, "a salto" se necessário. Outros começavam a voltar das colónias, já homens, despedaçados ou mortos.
Em 1965, um ano depois de ter formado a Frente Portuguesa de Libertação Nacional, Humberto Delgado foi assassinado numa cilada na fronteira entre Portugal e Espanha. Nesse mesmo ano foram presos os principais activistas das associações académicas, e em Outubro publicado o Manifesto dos 101 Católicos, contra a cumplicidade entre o Estado e a Igreja Católica e a política colonial, assinado por Sophia de Mello Breyner Andresen, Francisco Sousa Tavares, João Bénard da Costa e Nuno Teotónio Pereira, entre outros.
1965 foi também o ano da mini-saia e das meias de vidro, do estilo Saint Tropez de Brigitte Bardot e Sylvie Vartan e de Carnaby Street. Em Portugal, havia a Porfírios, os cigarros Kart e carros como Austin Mini, Spring 850 ou o Renault R8.
Apesar do sonho de aparecerem na televisão, que neste ano emitiu uma edição especial do programa Ritmos, como esta mostrava pouco ou nada do que a camada mais jovem queria ver, foi a rádio que ganhou cada vez mais força. Deu-se uma "invasão de pequenos receptores e transístores para ouvirem música" e programas como "23ª Hora" e, mais tarde, o "Em Órbita" e o "A Noite é Nossa" dedicavam o seu espaço a novidades musicais. Também fora de Portugal a Rádio Dakar, a Emissora Provincial da Guiné e a Rádio Clube de Cabo Verde abriam espaços para os mais jovens.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 17
Desta forma, a partir do princípio dos anos 60, começaram a surgir as primeiras bandas de pop-rock, influenciadas sobretudo pelos Beatles, pelos Rolling Stones, pelos Searchers e pelos Yardbirds, que chegavam através da rádio e dos quatro canais do país vizinho. Isolados numa ilha, porque não tinham mais nada que fazer começaram a aprender a tocar de ouvido e a formar bandas usando material em segunda mão ou construindo a partir de restos de outros instrumentos e aparelhagens.
Foi o sargento Mário Fernando Tomaz que, depois de formar o seu quinteto para animar os encontros no Clube Militar, decidiu organizar o 1º Festival Musical de Macau, em 1963, com o auxílio do Centro de Informação e Turismo de Macau. O segundo já contou com o auxílio do Movimento Nacional Feminino. As bandas tinham aí uma oportunidade de se fazerem ouvir fora dos chás dançantes, onde tocavam a troco de chao min. Começaram assim ter a possibilidade, sempre que a idade o permitisse, para tocar em boites como o Copacabana Nightclub, o Spiders Web, o Mightbird e o Mocambo, e também em casinos. Destacaram-se nestes anos os Thunders, que venderam milhares de discos, os Flipsiders, que eram acompanhados pelas dançarinas Tap Siac Sisters, os Grey Coats conhecidos pelos "impressionantes movimentos enquanto exibiam a sua música", os Colourful Diamonds, os Lovers, os Black Cats, os Mighty Thunders, e os New Telecasters. A "três horas de ferryboat de distância", os Mystics, de Hong Kong, tinham também na sua formação luso-descendentes, tal como os Trez Amigos, de Malaca.
terça-feira, 5 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 16
Não foi só Portugal Continental que não ficou imune à "invasão britânica". Na realidade, ela chegou a todo o seu "império" de ilhas, colónias e ex-colónias. Na Madeira, João Firmino Caldeira, um empresário local, organizou com patrocínio do jornal Madeira Popular, um concurso para promover as bandas locais que se iam formando. O prémio seria uma ida ao continente. Participaram o Conjunto João Paulo, que ficou em primeiro lugar, Os Demónios Negros, que também deixaram o Funchal pouco depois, Os Incríveis, que foram para o continente dar concertos em casinos e hotéis, Os Dinâmicos, Celso e os Atómicos e Alberto Freitas e o seu Conjunto.
Em Angola, o Cinema Restauração organizou e deu a conhecer bandas como os Rocks de Eduardo Nascimento, vencedores neste concurso da taça Angola Films, os Herbert et les Jeunes, Joe Mendes e os Electrónicos e Os Incógnitos, entre outros. Em Moçambique surgiram os Night Stars, Os Rebeldes e Os Inflexos.
Foi também neste ano de 1964 organizado o 2º Festival Musical de Macau, a qual assistiram cerca de 2.500 espectadores. Território ocupado por portugueses desde o século XVI, devido à sua localização geográfica foi, desde sempre mas principalmente, nesta altura, um ponto de cruzamento de culturas e influências, que vinham de Hong Kong, Londres, Paris, Estados Unidos e Austrália, devendo mais a estas do que a Portugal.
















