Mostrar mensagens com a etiqueta Victor Gomes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Victor Gomes. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Victor Gomes (1967)

Em 1967, quatro anos depois de chegar a Portugal e cada vez mais longe das luzes da ribalta, Victor Gomes lá consegue gravar o seu primeiro disco. Intitulado "Juntos Outra Vez", neste EP de quatro faixas Victor Gomes é acompanhado pelos Siderais. Algo, ou muita coisa, tinha corrido mal com os Gatos Negros. Questões de dinheiro, dizem...O disco, musicalmente, não tem grande interesse. Rock 'n' roll já sem a garra que outrora o caracterizou e agora com influências de alguns crooners.

Curiosamente, o disco tem duas edições na altura. Uma portuguesa, na F. F. Discos, e uma espanhola, na Marfer. Anos antes, Victor Gomes teve alguma visibilidade no país vizinho por causa do filme "A Canção da Saudade" (1964) de Henrique Campos, onde contracenou com a actriz espanhola Soledad Miranda. Um filme que também teve duas versões. A espanhola, assinada por José Luís Monter, intitulou-se "Los Gatos Negros", por causa do grupo que então acompanhava Victor Gomes, os Gatos Negros.



Mais interesse que a música de Victor Gomes, tem a sua história de vida. Recomenda-se, por isso, a leitura da biografia autorizada "Victor Gomes - Juntos Outra Vez" (2014) de Ondina Pires.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Os Anos Yé-Yé (1965-1966): Parte 9



Apesar do sonho comum de qualquer jovem ser o de um dia ir à televisão, esta pouco mostrava o que estes queriam ver. A R.T.P., pouco atenta, só em 1965 é que emite um programa inteiramente dedicado à "música moderna". Com o nome de Ritmo!, apresentado Henrique Mendes este programa contou com a presença dos Sheiks, Duo Ouro Negro, Victor Gomes, Ekos, Conjunto Académico João Paulo, Fernando Conde assim como Shegundo Galarza, Victor Campos e o seu Conjunto, Conjunto Mário Simões, Conjunto Eugénio Pepe que se adaptaram aos "ritmos modernos nova vaga". 




Ocasionalmente os conjuntos eram convidados para participar em programas de variedades ou juvenis. Apenas em 1968 apareceria o Discorama


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 4



Além destes, ainda em 1964, em Sintra, formam-se os Diamantes Negros, conjunto que atravessa a década de 60 com alguma consistência. Com apresentações regulares ao vivo, onde eram geralmente acompanhados por um "grupo de dança", os Twisters, estes tocavam, tal como a maioria dos conjuntos, um reportório que consistia em versões “à Shadows” de músicas tradicionais com influências da pop/rock que chegava a Portugal. Em 1966 gravam um primeiro EP, no ano seguinte são convidados a participar numa fotonovela da revista Plateia interpretando um conjunto de nome Os Piratas do Ritmo, e em 1968, tocam no concurso do Cinema Império onde já demonstram um maior leque de influências. No entanto, devido às irregularidades resultantes dos deveres militares, os Diamantes Negros decidem pôr termo ao grupo em 1970.



O Porto, mais perto de Espanha do que da capital, foi uma das zonas mais prolíferas em termos musicais. Esta cidade teve a particularidade de conseguir, de certa forma devido à sua localização geográfica, estabelecer uma certa independência relativamente a Lisboa, facto que se reflectiu não só em festivais e em concertos regulares, descritos como de elevada afluência, mas também no número de edições discográficas e em fortes bases de fãs. Os grandes nomes destes anos foram Os Tártaros e Allan Twist. Outros como Os Espaciais, Os Morgans e Os Blusões Negros dariam que falar nos anos seguintes.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Os Verdes Anos" (1960-1963): Parte 6


Com chegada anunciada nas páginas da Plateia, Victor Gomes já tinha nome e carreira feita quando regressou a Portugal. Nascido em Lisboa aos quatro anos parte para Lourenço Marques com os seus pais. Começando na sua adolescência a frequentar os bares dos cais onde trabalhava – era na altura cargueiro -, foi nessa altura que tomou contacto com os novos sons americanos, do Elvis, Little Richard e Bill Haley. “Aquela era a nossa música, e eu dançava muito bem o rock, uma coisa instintiva que aprendi nos filmes. Inspirado, inscreve-se no concurso A Hora do Caloiro na Rádio Clube de Moçambique, com os seus Dardos, conseguindo logo ganhar o primeiro lugar. Imediatamente aclamado pela crítica, com apenas 18 anos, Victor Gomes torna-se um ídolo nacional. Percorrendo parte de África foi nessa altura contactado pelo actor Humberto Madeira que o aconselha a ir para Lisboa. Seguindo o seu conselho parte para Portugal, com apenas a morada do Café Lisboa. Aí, João Maria Tudella encaminha-o para os Gatos Negros, da Trafaria, na altura formados por José Alberto, na guitarra solo, Manuel Lixa, na guitarra ritmo, Jacinto Lixa no baixo e Quim Hilário na bateria, onde foi imediatamente aceite.

Estreando-se no Parque Mayer, num espectáculo de beneficência para o bailarino Fred, Victor Gomes e uns Gatos Negros carregados de aguardente entram no palco e em 20 minutos tornam-se famosos e contratados, por Vasco Morgado, para a revista Boa Noite, Lisboa. Pouco depois, participam, e vencem, o primeiro grande concurso de ritmos modernos realizado em Portugal, o acima referido Concurso do Rei do Twist. No concurso seguinte, de Conjuntos tipo The Shadows, embora tenha sido o eleito pelo público, o júri escolhe o Conjunto Mistério, uma vez que o critério de escolha era a similaridade com a referida banda inglesa. 


 Nessa altura, já Victor Gomes e os Gatos Negros eram conhecidos e percorriam o país em concertos que, conforme recorda numa entrevista ao Correio da Manhã, "era[m] uma loucura. Eu partia tudo. Todas as casas onde actuava abarrotavam de pessoas desejosas de me tocarem. Muitas vezes fui para o camarim todo rasgado e até em cuecas". No entanto a carreira com estes Gatos Negros foi curta, mais uma vez devido ao serviço militar que alguns membros tiveram de cumprir. Mas também por não terem assinado com a Valentim de Carvalho, uma vez que Victor Gomes se recusara a cantar versões portuguesas das músicas estrangeiras. 

(www.cinemaportugues.ubi.pt)
Ainda assim, no ano seguinte Victor Gomes contracena com Soledad Miranda no filme Canção da Saudade (1964) de Henrique Campos, onde faz de Tony Rocker, e canta uns twists em português (!), acompanhado por uns novos Gatos, agora Pretos. Em 1965 estes gravam ainda uma actuação para o programa Ritmos!, da RTP, e separam-se definitivamente depois disso. Victor Gomes em entrevista à Plateia constata, pertinentemente, que "em Portugal é impossível conseguir um conjunto sério de profissionais”. Decide por isso enveredar numa carreira a solo e tornar-se um artista de music-hall, abandonando o país que, segundo ele, não o soube receber nem dar valor. Antes de partir grava ainda o que seria o seu primeiro e único disco, Juntos Outra Vez, acompanhado pelos Siderais, que musicalmente já pouco tinha a ver com aquilo que o tornou conhecido, no principio da década. Actua no filme A Caçada do Malhadeiro (1969), de Quirino Simões. 

(retirado de guedelhudos.blogspot.com)
De volta a África estabelece-se em Moçambique e envereda por uma carreira como crooner. Nas décadas que se seguem, Victor Gomes vai pondo a música um pouco de parte e torna-se um mestre dos sete ofícios, fazendo de tudo, desde engordar gado na Rodésia a trabalhos em pedra no Algarve. 

Voltando à música apenas na década de 90, é nessa altura em que lança o CD Victor Gomes e o Regresso do Rei do Rock. A partir daí começa a fazer algumas aparições ao vivo esporadicamente, acompanhado pelas Gatas Loucas e a colaborar com os Ena Pá 2000. Em 2011 regressa também aos filmes, como actor na longa-metragem Calor & Moscas.

sábado, 18 de maio de 2013

"Os Verdes Anos" (1960-1963): Parte 5



1963 é um ano de mudança em Portugal, ou pelo menos em Lisboa, com uma nova classe média a estabelecer-se e novos hábitos e estilos de vida a marcar o lento iniciar de uma década de consumo. A descentralização das zonas de divertimento, da Baixa lisboeta para os novos bairros e avenidas, fez com que Avenida de Roma ganhasse um novo estatuto com os seus "jovens sem apelido, automóveis, jazz, discos, cinema italiano e francês (desprezando o 007), frequentadores de cafés de bairro, snackbars e drugstores".


Conscientes da emergente cultura juvenil, lentamente os espaços outrora restritos a um determinado género de espectáculos – caso dos cinemas - abrem a sua programação a novos eventos, como os concertos e concursos de música pop/rock, afirmando-se como uma alternativa ao circuito dos bailes de liceu à qual a maioria destes conjuntos estavam cingidos. Por detrás deste novo conceito – que se concretiza em concertos entres os filmes, concursos de conjuntos e digressões -, estão personalidades como Vasco Morgado e Arlindo Conde e mais tarde, entidades como o Movimento Nacional Feminino.
  


O primeiro deste novo género de eventos é organizado pelo referido Vasco Morgado e tem o nome de Concurso do Rei do Twist. Ao longo de vários sábados o Teatro Monumental, em Lisboa, torna-se o palco de actuações que culminam numa final, realizada a dia 7 de Setembro de 1963, onde competem Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e o seu Conjunto e Fernando Concha e os seus Electrónicos, perante uma casa esgotada. Segundo a revista Plateia, "chegou a haver desordens por disputa de bilhetes, tendo ficado na Praça do Saldanha gente que enchia outra casa". O vencedor é Victor Gomes que “entrou no palco, debaixo de uma autêntica trovoada de aplausos” demonstrando o seu “ritmo febril, quase diabólico". 


Em segundo lugar fica Fernando Conde que "a despeito da sua juventude e inexperiência, mostrou qualidades e deixou antever um futuro promissor". Em terceiro fica o Nelo do Twist, que a mesma revista descreve como um "artista de bons recursos também, servido sem dúvida pelo melhor conjunto musical que apareceu, e que levou o júri a atribuir-lhe um prémio especial. Nelo teve uma actuação infeliz. Decerto o nervosismo causado pelo calor do ambiente o influenciou".