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sábado, 30 de setembro de 2017

Daniel Bacelar (1943-2017)


Natural de Lisboa, Daniel Bacelar começa a tocar e a cantar ainda na década de 50 o que então chama de música "género cowboy, isto é, género Ricky Nelson". 


Em 1960, na sequência de uma brincadeira entre amigos, inscreve-se no concurso"Os Caloiros da Canção" da Rádio Renascença do qual sai vencedor juntamente Os Conchas. Como prémio desse concurso, Daniel Bacelar, com apenas 17 anos, grava o seu primeiro disco, onde se pode ouvir duas músicas da sua autoria: "Fui Louco por Ti" e "Nunca".  Os Conchas, infelizmente, optam por fazer versões em português de êxitos de então... Sem antecedentes - outros rockers houve nesses anos mas nenhum edita discos - seria este o primeiro disco de rock 'n' roll cantado português.

Depois de ter sido acompanhado pelo Conjunto Jorge Machado o já apelidado de “Ricky Nelson português” junta-se ao Conjunto Abril em Portugal e no ano seguinte grava mais um EP. 


Depois de um interregno - como sempre fez questão de frisar, nunca pensou fazer carreira na música - a partir de 1963 passa a ser acompanhado pelos Gentlemen. Com estes grava três discos onde explora outros estilos então em voga, caso do surf e do twist, e outras línguas - além do português canta também em espanhol e inglês.


Tal como a maior parte dos conjuntos portugueses, devido aos estudos e ao serviço militar, os Gentlemen também não duram muito e nos últimos dois discos, Daniel Bacelar é acompanhado pelos Siderais e pelos Fliers


Apesar de prolífero, Daniel Bacelar "nunca teve ilusões", como o próprio dizia, e depois destas "brincadeiras", opta por ir trabalhar para TAP Air Portugal. Foi a forma que arranjou de ver o mundo...

Anos depois destas aventuras, já nos anos 2000, Daniel Bacelar começa a ser recuperado. Tanto em compilações - "Biografia do Pop / Rock"; "Portuguese Nuggets"; "Caloiros da Canção"; "Óculos de Sol" - como em versões: 



 Daniel Bacelar faleceu a 29 de Setembro de 2017.

(Capas dos 7"s e fotografia retiradas do blog: ratosreturn.blogspot.pt)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Os Verdes Anos (1960-1963): Parte 2



Tal como Os Conchas, Daniel Bacelar começa a cantar por influência dos seus ídolos americanos e rapidamente se tornou o “Ricky Nelson português”. Natural de Lisboa, tinha 17 anos quando grava o seu primeiro disco, o 7” repartido com Os Conchas, mas, ao contrário destes, toca dois originais, Fui Louco por Ti e Nunca. Auto-descrevendo a sua música como do "género cowboy, isto é, género Ricky Nelson" neste disco é acompanhado pelo Conjunto Jorge Machado. A esta primeira experiência segue-se o EP onde é acompanhado pelo Conjunto Abril em Portugal e, de seguida, pelos Gentlemen. Estes acompanham-no em três discos, onde exploram outros estilos então em voga, desde o surf ao twist, cantando em português, espanhol e inglês.




Mas, tal como a maioria dos conjuntos portugueses, devido aos estudos e ao serviço militar, os Gentlemen também não duram muito e Daniel Bacelar, nos últimos dois discos, é acompanhado pelos Siderais e pelos Fliers. Apesar de ter gravado um total de seis discos, além daquele com Os Conchas, e de ter tido uma das mais prolíferas carreiras dentro do género durante toda a década, Daniel Bacelar opta por ingressar os quadros da TAP Air Portugal, como forma de ver o mundo lá fora. No entanto, ainda hoje, Daniel Bacelar canta e grava com os amigos dessa época.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Os Verdes Anos (1960-1963): Parte 1



Se a introdução do rock ‘n’ roll em Portugal, como se viu, se deu sob a forma de aventuras efémeras e na integração do ritmo dentro de outros géneros, geralmente associado a danças e sem grande relevo musical, ao longo da década de 60 as músicas feitas por jovens conseguem alcançar outro estatuto. Nas rádios e nas revistas, lentamente, começam a abrir-se espaços e pelo país fora constroem-se circuitos de actuação ao vivo. Surgem sonhos e ideias e até possibilidades de carreira no meio musical, até onde o serviço militar permitia...Forma-se assim uma cultura juvenil que, até então, parecia não existir.

Em termos musicais a década de 60 abre com a primeira edição comercial de rock ’n’ roll em português: um disco, de sete polegadas, repartido entre Daniel Bacelar e Os Conchas, prémio do empate no concurso da Rádio Renascença, Os Caloiros da Canção.

(retirado de underrreview.blogspot.com)
Primeiro grande fenómeno de popularidade juvenil, Os Conchas formam-se ainda no final da década de 50. Constituídos por José Manuel Concha e Fernando Gaspar, este duo lisboeta fortemente influenciado pela música norte-americana que chegava então a Portugal, foi imediatamente apelidados de "Everly Brothers portugueses”. Conseguindo, como prémio do concurso, além da gravação do disco, uma aparição na televisão portuguesa, Os Conchas tornam-se rapidamente famosos, dando concertos regulares e editando um total de seis EP’s. Uma carreira bem sucedida mas, infelizmente, curta.


(retirado de guedelhudos.blogspot.com)
 O início da guerra colonial faz com que, em 1962, Fernando Gaspar seja mobilizado para Moçambique e José Manuel Concha para a Guiné Portuguesa pondo fim ao conjunto. Apesar de tudo, em terreno de guerra, José Manuel Concha forma um novo grupo sendo imediatamente convidado para uma série de concertos para militares das Forças Armadas. Além disso, este ajuda a organizar concursos, incentivando a formação de conjuntos naquela então colónia portuguesa. 

Cerca de um ano depois volta a Portugal, prosseguindo com uma carreira a solo, lançando, em 1964, um disco acompanhado pelo Conjunto Os Conchas, cujos membros vinham dos Gatos Negros que costumavam acompanhar Victor Gomes. Posteriormente forma os Inéditos e nas décadas seguintes, já a solo e dentro de outro registo musical, atravessa a Europa e os Estados Unidos. Sediando-se em Paris somente no final dos anos 90 regressa a Portugal onde, ainda hoje, continua com a sua carreira musical.
Fernando Gaspar, de regresso do serviço militar, junta-se ao Conjunto Mistério, com quem grava dois EP’s, prosseguindo depois disso com uma carreira a solo. Viria a falecer em 1998 vítima de diabetes.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 8

Conscientes da emergente cultura juvenil, lentamente os espaços outrora devotados a géneros de espectáculos – cinemas e teatros - abriram a sua programação a novos eventos, como os concertos e concursos de música pop-rock. Por detrás disto estavam personalidades como Vasco Morgado ou Arlindo Conde e, mais tarde, entidades como o Movimento Nacional Feminino.

Mas as bandas neste princípio de década ainda eram poucas, de curta duração e sediadas sobretudo em Lisboa, Porto e Coimbra. O serviço militar iminente, ou obrigações profissionais ou familiares, impediam qualquer possibilidade de carreira ou até mesmo de tocar fora do país. Foi o caso dos Conchas, que tiveram convites para tocar no Brasil, Alemanha e França.

Tinham, por isso, os grupos de se contentar com os espectáculos organizados pelo "Passatempo para Jovens", ou rezarem para terem a sorte de irem à televisão ou serem contratados por algum hotel para banda residente. Ainda assim, em 1961, Zeca do Rock conseguiu gravar o seu único EP em nome próprio, editado pela Rádio Triunfo, e Fernando Conde, o Conjunto Nova Onda e o Quinteto Académico começavam a dar os seus primeiros passos.

Sendo na sua maioria estudantes ou trabalhadores em princípio de carreira, a música era vivida como apenas mais uma aventura ou hobby. Entretanto, nas revistas começavam a aparecer nomes como Tarzan Taborda, Madalena Iglésias e Florbela Queiroz, a dita "Brigitte Bardot portuguesa" que se tornariam idolos de uma geração.