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quinta-feira, 2 de março de 2017

João Alves da Costa (Jets) sobre os Beatles

Depois de os Jets acabarem, o baterista João Alves da Costa envereda pelo jornalismo. Nas páginas do Diário Popular publica uma série de colunas entre as quais esta sobre "Salazar e os Beatles". "Dizia-se"...


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Discorama (1967)




Em 1967 surge um programa de televisão dedicada à nova música portuguesa chamado "Discorama". Da autoria de Luís Andrade, Dinis de Abreu e Carlos Cruz e apresentado por este último, semanalmente apresentam novidades, sob a forma de "telediscos" realizados pela própria equipa do programa, entrevistas, reportagens e até debates. Com uma linguagem inédita, "dinâmica" e "ousada", como descreveram na altura referindo-se quer os ângulos quer aos aos movimentos de camara e montagem, foi graças ao "Discorama" que temos vídeos como este dos Jets, para a música "Let Me Live My Life":




segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os Anos Yé-Yé (1965-1966): Parte 6



O ano de 1966 começa com as quatro meias-finais do Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental, realizadas semanalmente durante o mês de Janeiro.


 À final, realizada apenas a 30 de Abril, chegam os Os Claves, Os Rocks, Night Stars, Jets, Ekos, Chinchilas, Espaciais, os Tubarões e os Sheiks. Estes últimos, os favoritos das meias-finais, no entanto não puderam participar uma vez que já tinham um contrato para um concerto em Coimbra nesse dia... 


Quando chega a noite da final "a sala quase ia pelo ar...O entusiasmo atingiu o rubro, novos e velhos batiam palmas, os corpos ficavam possessos do ritmo electrizante...". Nas páginas das revistas dizia-se então que o "yé-yé é o rei e o twist dançado em delírio pelos mais entusiastas, que não resistem a invadir o palco. As guitarras eléctricas mal se ouvem. Já não são precisas, o ritmo toma os corpos e a mocidade lisboeta vibra a valer." São então atribuídas as qualificações finais, sendo o primeiro lugar atribuído aos Claves, o segundo aos Rocks e o terceiro aos Night Stars



Em quarto lugar ficaram os Jets, em quinto os Ekos, em sexto os Chinchilas, em sétimo os Espaciais e em 8º lugar Os Tubarões. Os resultados não foram aceites de bom grado e estiveram envoltos em diversas polémicas. Desde a escolha de Os Claves estar relacionada com influências da família de alguns membros, à classificação das bandas das colónias, atribuídas como manobra de propaganda política em plena guerra colonial e desintegração do império. A ausência dos Sheiks, que nas meias-finais foram a banda que conseguiu a maior pontuação, também deixou a desejar. Registaram as publicações da altura:

"Houve ainda um facto que considero desagradável e injusto: a atribuição do prémio instituído para a melhor música yé-yé portuguesa, atribuído aos Night Stars, de Moçambique. Para mim, seriam os Ekos a merecer essa honra, na medida em que estes apresentaram composições de bom nível e de dicção perceptível. Ao contrário, os Night Stars cantaram num português incompreensível, que mais parecia uma língua estrangeira" Luís Waddington, Conjunto Mistério

"Em minha opinião, sem desprestígio para os outros conjuntos, deveriam ser Os Rocks a ganhar. O conjunto, ainda que não possua valores excepcionais, graças ao seu vocalista, merecia ganhar " Zé Luís, Ekos

"Merecemos o prémio porque tanto instrumentalmente com vocalmente tudo esteve certo! O reportório é absolutamente actualizado com músicas que ainda não estavam à venda em Portugal!" João Ferreira da Costa, Claves

Três anos depois do Concurso tipo Shadows continuava-se a premiar as imitações…

domingo, 6 de abril de 2014

Os Anos Yé-Yé (1965-1966): Parte 2



Os Jets, de Lisboa, foram os vencedores da 4ª eliminatória onde “houve uma condenável chuva de projécteis vinda das alturas e que caiu no palco e nas primeiras filas, aponto de muitos espectadores serem obrigados a abandoná-las”. Ao lado deles tocaram Os Monstros, também de Lisboa, que contavam com Filipe Mendes e Victor Manuel dos Chinchilas na sua formação, Os Diabólicos, da Póvoa de Santa Iria, os Feras, de Elvas e Os Flechas, de Oliveira de Azeméis.




Na 5ª eliminatória "o Concurso Yé-Yé registou atitudes inconvenientes de parte da assistência - os mais excitados partiram cadeiras, atiraram tomates, batatas e, incrível... pedras!" numa sessão onde os Ekos saíram vencedores e onde tocaram ainda os Sonors, de Lisboa, Os Morcegos, de Olhão e os Aquatiks, de Elvas. Os Falcões estavam agendados mas não participaram porque um dos membros apanhou um choque eléctrico e foi de ambulância para o hospital. 

 
A 2 de Outubro, na 6ª eliminatória, "o público esteve menos agitado. Compreendeu que não era possível continuar-se com um clima tão excitado, como o que em semanas anteriores obrigou à intervenção da polícia". Nesta, em primeiro lugar ficaram os Clips, da Trafaria, e participaram ainda Os Kappas, de Lisboa, Os Ratones de Vila Real de Santo António e os 5 Cês de Palmela. Os Electrões, de Castelo Branco, não actuaram devido a doença de um dos elementos.




Na 7ª eliminatória ganharam Os Sheiks, em segundo ficaram Os Tubarões de Viseu e tocaram também Os Galãs, do Porto, Os Czars de Aveiro e Os Jovens do Ritmo, de Amora-Seixal. Estes últimos nesta actuação contaram com a presença de Isabel Amora, com as suas"botinas, calças cor-de-rosa brilhante, blusão negro e, nas costas, a letras de fogo, o seu nome - Isabel."

quarta-feira, 29 de junho de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 31

Apesar do final de década ser fortemente marcado pela entrada de estrangeiros em Portugal, alguns tendo chegado a incorporar-se em bandas portuguesas, como o Quinteto Académico +2 ou os Jotta Herre, a imigração e a emigração continuam a ser os principais movimentos. Da aldeia para a cidade, fixam-se sobretudo em Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Setúbal, cada vez mais industrializadas, a viver em bairros da lata e prédios sem planeamento na Amadora, Almada, Barreiro, Maia ou Gondomar. Ergue-se a Brandoa como paradigma das construções periféricas e subúrbios sem infra-estruturas de que cheias e incêndios iriam tomar conta.


Do lado contrário, a Europa continuava a precisar de mão de obra depois da devastação da Segunda Guerra Mundial. Hospedados em bidonvilles nos arredores de Paris, ou junto às obras de outras cidades europeias, os números desta década são da ordem do milhão de emigrantes. Como consequência, Portugal assistiu a uma desertificação do interior, a uma limitação das saídas do país e a uma falta de mão de obra que levou a que as mulheres comecassem a trabalhar fora de casa.

Mas foi devido a esta internacionalização que se assistiu a casos como o dos dois irmãos do Porto, residentes na Bélgica, António e Fernando Lameirinhas, que sob os nomes de Tony e Waldo Lam ou Jess & James, formaram a JJ Band, com ex-membros dos Manfred Mann e dos Crazy World of Arthur Brown, e gravaram diversos e bem sucedidos singles e LP's. Outro caso de sucesso foi o de João Vidal Abreu, que "emigrou e fugiu a salto, da incorporação nas Caldas da Rainha, em 1967, após ter sido humilhado a cortar a sua farta cabeleira", para Espanha. Lá juntou-se aos Grimm, abrindo-os para o psicadelismo com o seu teclado e em 1970 fundou os Barrabás, banda de funk psicadélico que se tornou conhecida a nível mundial.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 28

Por esta altura, finalmente, já não se ouvia apenas os Beatles e os Shadows. Graças a antenas artesanais que captavam as rádios piratas, como a Radio Caroline, Radio England ou Radio London, que eram emitidas a partir de barcos ou plataformas abandonadas[1], podia-se ouvir as novidades que iam desde o folk ao soul passando pelo psicadelismo. Foi neste ano que surgiram Os Dolmens, da Madeira, os Xelbe 65, do Algarve, The Sheers, de Bragança, Os Lunicks, do Minho, Os Jactos, do Porto, Os Infernais, de Faro.

Mas também três das mais marcantes bandas portuguesas: os Chinchilas, que contavam na sua formação com Filipe Mendes, o Conjunto Universitário Hi-Fi, de Coimbra, que habilmente se movia dentro da estética psicadélica da costa oeste americana, e os Pop Five Music Incorporated, do Porto.

Em Lisboa, os Jets, três anos após a sua formação gravaram um EP para a editora Tecla. Com uma capa única em Portugal, de grafismo pop psicadélico, a música acompanhava-a. O seu equipamento, também único para a altura, consistia numa aparelhagem Vox, órgão de dois teclados e uma Gibson vermelha, entre muito outro material avaliado em milhares de contos. Tocavam a "15 mil escudos por actuação, ao câmbio da época, fora a dormida, alimentação e casa, durante as loucas - porque sexuais - digressões estivais (...) , meridionais coloridas e extravagantes com inglesas em desaforos sensoriais. (...) Liz e Frankie, as duas mentoras sexuais dos Jets, em 1965 (Lota, Lagos), 1966 (Ferragudo, «A Chaminé») e 1967 (Albufeira, «MCM») e introdutoras de afrodisíacos «spanish fly» (cantáridas) na vivência criativa musical e erótica", como descreveu o seu baterista João Alves da Costa. No ano seguinte, devido à incorporação militar o grupo desfez-se...



[1] http://www.offshoreradio.co.uk/